Ronaldinho entregou vida 'civil' a Assis. E foi com ele para o xilindró

11 de março de 2020 142

Ronaldinho Gaúcho, um dos maiores craques do futebol mundial em todos os tempos, completará 40 anos no próximo dia 21 de março. As chances de riscar o último pauzinho das quatro décadas de vida no xilindró são reais.

Em mais uma amostra da naturalidade vulgar com que glória e pecado sucumbem à tentação de caminhar de braços dados na América Latina, policiais da Agrupación Especializada da Polícia Nacional do Paraguai, onde estão presos Ronaldinho e seu irmão mais velho, o pensa-e-faz-tudo Assis, permitiram que crianças acompanhadas dos pais visitassem o craque nesta terça-feira (10).

Com os celulares barrados pela meganhada, restou à molecada enlouquecida esquecer selfies e disputar autógrafos do malabarista da bola eleito por duas vezes o melhor do mundo.

Na saída, em conversa com alguns jornalistas, a mãe de um dos moleques resumiu o estado de espírito da dupla: “Assis estava com a expressão fechada, parecia irritado. Ronaldinho, ao contrário, sorriu e se distraiu com os meninos o tempo todo”.

Detalhe: a sessão improvisada de autógrafos rolou pouco depois de Ronaldinho e Assis saberem que o ministério público paraguaio negara a transferência dos dois para uma prisão domiciliar. Os promotores consideraram insuficientes as garantias de que não haveria fuga daquele país apresentadas pela defesa.

Assis ficou indignado com a decisão. Ronaldinho, ao contrário, olhou prum lado, tocou pro outro, ligou o não é comigo, passou pelo tô nem aí, meteu pro gol e correu pro abraço com a pivetada encantada.

A diferença de reações diante do mesmo revés, aparentemente até positiva para o humor do craque, simboliza também, com um bom toque de ironia, a decisão de Ronaldinho de abrir mão, na condução da vida, de todo o protagonismo brilhantemente exercido por ele dentro de campo.

Fora dos retângulos de grama, o craque toca seu barco alegremente entre pagodes, pandeiros e uma mulherada de responsa. Mas quem incorpora o ‘Ronaldinho civil’ é Assis.

Desde sempre, o irmão mais velho cuida de todas as rendas, negócios, parcerias e ações do caçula. Negocia contratos. Cuida e faz investimentos com os ganhos do ‘menino’ como lhe dá na telha. Decide onde, como e em quais circunstâncias Ronaldinho vai morar e viver para cumprir temporadas e compromissos.

Nos tempos do caçula na Europa, Assis modulava até mesmo o ‘fluxo de caixa’ do mano, controlando entrada e saída nas contas bancárias pessoais usadas pelo craque em suas esticadas e estilingadas que se tornaram célebres sobretudo pela intensidade e duração. Saldos de grana que o próprio Ronaldinho dizia a amigos fazer questão de desconhecer.

Com os celulares barrados pela meganhada, restou à molecada enlouquecida esquecer selfies e disputar autógrafos do malabarista da bola eleito por duas vezes o melhor do mundo.

Na saída, em conversa com alguns jornalistas, a mãe de um dos moleques resumiu o estado de espírito da dupla: “Assis estava com a expressão fechada, parecia irritado. Ronaldinho, ao contrário, sorriu e se distraiu com os meninos o tempo todo”.