Ronaldinho entregou vida 'civil' a Assis. E foi com ele para o xilindró
Ronaldinho Gaúcho, um dos maiores craques do futebol mundial em todos os tempos, completará 40 anos no próximo dia 21 de março. As chances de riscar o último pauzinho das quatro décadas de vida no xilindró são reais.
Em mais uma amostra da naturalidade vulgar com que glória e pecado sucumbem à tentação de caminhar de braços dados na América Latina, policiais da Agrupación Especializada da Polícia Nacional do Paraguai, onde estão presos Ronaldinho e seu irmão mais velho, o pensa-e-faz-tudo Assis, permitiram que crianças acompanhadas dos pais visitassem o craque nesta terça-feira (10).
Com os celulares barrados pela meganhada, restou à molecada enlouquecida esquecer selfies e disputar autógrafos do malabarista da bola eleito por duas vezes o melhor do mundo.
Na saída, em conversa com alguns jornalistas, a mãe de um dos moleques resumiu o estado de espírito da dupla: “Assis estava com a expressão fechada, parecia irritado. Ronaldinho, ao contrário, sorriu e se distraiu com os meninos o tempo todo”.
Detalhe: a sessão improvisada de autógrafos rolou pouco depois de Ronaldinho e Assis saberem que o ministério público paraguaio negara a transferência dos dois para uma prisão domiciliar. Os promotores consideraram insuficientes as garantias de que não haveria fuga daquele país apresentadas pela defesa.
Assis ficou indignado com a decisão. Ronaldinho, ao contrário, olhou prum lado, tocou pro outro, ligou o não é comigo, passou pelo tô nem aí, meteu pro gol e correu pro abraço com a pivetada encantada.
A diferença de reações diante do mesmo revés, aparentemente até positiva para o humor do craque, simboliza também, com um bom toque de ironia, a decisão de Ronaldinho de abrir mão, na condução da vida, de todo o protagonismo brilhantemente exercido por ele dentro de campo.
Fora dos retângulos de grama, o craque toca seu barco alegremente entre pagodes, pandeiros e uma mulherada de responsa. Mas quem incorpora o ‘Ronaldinho civil’ é Assis.
Desde sempre, o irmão mais velho cuida de todas as rendas, negócios, parcerias e ações do caçula. Negocia contratos. Cuida e faz investimentos com os ganhos do ‘menino’ como lhe dá na telha. Decide onde, como e em quais circunstâncias Ronaldinho vai morar e viver para cumprir temporadas e compromissos.
Nos tempos do caçula na Europa, Assis modulava até mesmo o ‘fluxo de caixa’ do mano, controlando entrada e saída nas contas bancárias pessoais usadas pelo craque em suas esticadas e estilingadas que se tornaram célebres sobretudo pela intensidade e duração. Saldos de grana que o próprio Ronaldinho dizia a amigos fazer questão de desconhecer.
Com os celulares barrados pela meganhada, restou à molecada enlouquecida esquecer selfies e disputar autógrafos do malabarista da bola eleito por duas vezes o melhor do mundo.
Na saída, em conversa com alguns jornalistas, a mãe de um dos moleques resumiu o estado de espírito da dupla: “Assis estava com a expressão fechada, parecia irritado. Ronaldinho, ao contrário, sorriu e se distraiu com os meninos o tempo todo”.