Flávio Bolsonaro atua pela cassação de Claudio Castro, dizem aliados do governador

23 de fevereiro de 2026 21

247 - A possibilidade de cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma crise política que envolve o senador Flávio Bolsonaro e integrantes do Palácio Guanabara. Castro é alvo de uma ação que o acusa de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. As informações são do jornalista Octávio Guedes, do G1.

O governador é acusado de ter utilizado R$ 1 bilhão obtidos com a privatização da companhia estadual de água e esgoto para financiar a estrutura de cabos eleitorais em sua campanha à reeleição.

Expectativas frustradas no STF e no TSE

Aliados de Castro apostavam que Flávio Bolsonaro atuaria junto aos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça para favorecer o governador no julgamento. Ambos integram o TSE e foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Dentro desse cenário, o grupo político de Castro também contava com um eventual voto contrário à cassação por parte do ministro Antônio Carlos Ferreira, apontado como próximo de Kassio Nunes. No entanto, o ambiente teria mudado nas últimas semanas.

A avaliação atual é de que Castro não deverá contar com esse apoio, o que enfraquece sua posição na Corte Eleitoral. O blog relata que Kassio Nunes teria feito “zero esforço” para auxiliar o governador, frustrando as expectativas do Palácio Guanabara. Esse movimento, de acordo com a publicação, estaria sendo atribuído politicamente a Flávio Bolsonaro.

Disputa por sucessão e vaga no Senado

A tensão também envolve o futuro político do estado. Conforme a reportagem, Flávio Bolsonaro teria interesse na cassação por duas razões centrais. A primeira diz respeito à sucessão no governo do Rio. Cláudio Castro pretende se desincompatibilizar para disputar uma vaga no Senado e deseja que o restante de seu mandato seja exercido pelo secretário da Casa Civil, Nicola Miccione.

Flávio, por sua vez, se opõe a essa possibilidade. A segunda questão envolve diretamente a disputa pelo Senado. O clã Bolsonaro não acredita que Castro, caso eleito senador, atuaria em favor de um eventual processo de impeachment de ministros do STF.

Se houver cassação e consequente perda dos direitos políticos, Castro ficaria impedido de disputar o Senado. Nesse cenário, a vaga poderia ser ocupada por um nome escolhido por Flávio Bolsonaro.

Nos bastidores, especulações sobre possíveis substitutos para Castro têm se intensificado, movimento interpretado como forma de pressão política. Na semana anterior à publicação, chegou a ser ventilada a hipótese de que Flávio lançaria a própria esposa como candidata ao Senado, mantendo o sobrenome Bolsonaro na Casa. Auxiliares do senador negaram a informação.

Um assessor de Flávio declarou: "O que Cláudio Castro tem que entender, é que ele deve entrar na negociação com Flávio mais para ouvir do que para falar. Um tem perspectiva de poder. O outro tem perspectiva de ter a PF na sua porta", em referência a investigações que envolvem o governo estadual, como casos ligados ao RioPrevidência e ao Refit.

Reação de aliados de Castro

Do outro lado, integrantes do entorno do governador reagiram às movimentações atribuídas à família Bolsonaro. Auxiliares de Castro afirmaram: "O Cláudio tanto tem vida própria, que nas pesquisas de intenção de votos para senador, ele está à frente de Flávio. E nenhuma movimento da família espanta, já que o clã não é confiável e só pensa nos próprios interesses".

Fonte: Otávio Rosso