Repórter desabafa após racismo na Série B: “Tenho maior orgulho da minha cor e sempre vou ter”
A vitória do América-MG sobre o Guarani, no Brinco de Ouro, na noite de sexta-feira (22) deixou o Coelho muito perto de carimbar a vaga na Série A do Campeonato Brasileiro. Porém, fora do campo um acontecimento marcou negativamente a partida. O repórter Júlio Nascimento, da Rádio Bandeirantes de Campinas, disse ter sido alvo de racismo por um pequeno grupo de torcedores do Bugre. Em sua conta no Instagram, ele deixou um desabafo.
“Fui atingido. Talvez até tivesse sido antes, mas nunca explicitamente. Ouvir que meu lugar não é ali e que sou limitado por minha cor? O filme passa na cabeça e difícil explicar o inexplicável. É incompreensível que na sociedade onde 54% da população é negra ou parda, dentro do contexto esportivo onde os maiores são negros e exercendo meu trabalho ainda seja preciso driblar a falta de empatia. Eu tenho maior orgulho da minha cor e sempre vou ter. Racismo é crime. E não basta não ser racista… É preciso ser anti-racista. Meus agradecimentos aos colegas de imprensa pela manifestação solidária, aos torcedores pelo carinho e todas mensagens de força. Que seja um momento para refletir e mudar. Sentir e ajudar. Reitero que respeito toda comunidade bugrina e que um ou dois torcedores jamais vão representar toda essa coletividade que sempre manteve respeito profissional ao meu trabalho. Da mesma forma agradeço ao clube e sua assessoria por toda contribuição para que isso não passe ileso como muitos outros irmãos sofreram. 4P #nãoaoracismo”, escreveu o jornalista.
Júlio conta que o ato ocorreu quando ele se deslocava do gramado para a sala de imprensa. Emocionado, o repórter afirmou, na programação da rádio, ter ouvido a frase “aqui não é o seu lugar” e a palavra “macaco”.