
Léo Santos minimiza golpes ilegais de Bogatov, mas admite: “Poderia ter me custado a luta”
Léo Santos manteve sua invencibilidade no Ultimate ao derrotar Roman Bogatov no último sábado, no UFC 251, na Ilha da Luta, em Abu Dhabi. O faixa-preta venceu por decisão unânime dos jurados e conquistou sua sétima vitória na organização.
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Léo Santos venceu uma luta dramática contra Roman Bogatov — Foto: Getty Images
O duelo ficou marcado ainda pela série de golpes ilegais que o brasileiro recebeu de seu adversário. Apesar de reconhecer que poderia ter lhe custado a vitória, o lutador disse em entrevista exclusiva ao Combate.com que prefere acreditar que não foram ataques intencionais
- Eu prefiro pensar que foi afobação dele por estar perdendo e estar muito cansado também, estava perdendo o controle, mas eu fiquei muito puto ali, principalmente na última joelhada, aquilo poderia ter me custado a luta. Quando ele me deu aquela joelhada, eu meio que apaguei e voltei, e quando me vi na situação pensei que eu tinha perdido, que tinha sido nocauteado. Perguntei para o juiz o que aconteceu e o cara falou que eu tomei uma joelhada ilegal e se eu queria voltar pra luta. Eu falei que sim e tinha um tempo pra respirar. Depois da luta que eu fui me ligar que se eu não voltasse ele seria desclassificado, mas na hora eu estava no automático e queria continuar. Mas quando voltou eu estava em outro mundo e tomei muitos golpes que eu não tomaria em uma luta normal. Eu poderia ter sido nocauteado ali e perder a luta de bobeira. Mas na vontade de vencer eu voltei e falei que estava pronto, mas deveria ter dado um tempo ali ou nem voltado, porque eu estava em outro mundo.
Veja abaixo a entrevista exclusiva com Leo Santos, que falou ainda de sua preparação relâmpago para a luta e também analisou a derrota de seu amigo José Aldo.
Como você analisou sua luta?
Eu ainda nem vi a luta toda direito, só algumas partes. Eu gosto de ver a luta toda com calma depois pra poder analisar direito, ver o que errei e o que foi bom, pra tentar corrigir. Pelo momento que a gente está passando com essa pandemia, por tudo que estamos passando, nem queria me cobrar tanto assim. Eu queria a vitória de qualquer forma, queria lutar, me sentir vivo. Fiquei mais de dois meses trancado em casa e voltei fazendo um camp de um mês. É até injusto comigo me cobrar muito. Por isso achei que minha atuação foi ótima. Não posso me exigir tanto assim.
Você estava há um ano sem lutar e ainda teve uma preparação atípica por conta da pandemia. Como foi isso pra você? E chegou a sentir essa falta de ritmo na luta?
Se você pensar que eu tive um mês pra treinar, eu fiquei mais de dois meses trancado em casa, em Campos, sem dar um soco ou chute, todas as academias estavam fechadas, inclusive a do meu professor Wendell. Aí faltando um mês o cara te liga e você tem que voltar pro Rio de Janeiro e a 100km por hora, treinando, num ritmo aceleradíssimo pra lutar. E quando você acha que vai manter o ritmo vem essas quarentenas. Eu fiquei dois dias trancado em São Paulo sem fazer nada, perdendo peso, tinha que perder 10kg. Aí você vai pra outra quarentena em Abu Dhabi. É meio estranho, nunca passei por isso. É uma coisa nova pra todo mundo. Cheguei em Abu Dhabi num esquema de proteção absurdo, foi bem alucinante isso. Não sei nem se senti o ritmo, mas a luta saiu completamente do que eu normalmente faço. Ela foi pra um campo no segundo round, onde eu tive a oportunidade de acabar com ela, senti o cheiro de sangue, então dei tudo ali. Não sei se o juiz podia ter parado antes, mas o cara sobreviveu ali, mérito dele. Eu fui ali pra dar tudo de mim e tendo a oportunidade vou pra acabar a luta.
Seu adversário deu quatro golpes ilegais e só no último tomou uma punição. O que você achou dessa situação? E acredita que ele deveria ter sido punido antes?
Eu prefiro pensar que foi afobação dele por estar perdendo e estar muito cansado também, estava perdendo o controle, mas eu fiquei muito puto ali, principalmente na última joelhada, aquilo poderia ter me custado a luta. Quando ele me deu aquela joelhada, eu meio que apaguei e voltei, e quando me vi na situação pensei que eu tinha perdido, que tinha sido nocauteado. Perguntei para o juiz o que aconteceu e o cara falou que eu tomei uma joelhada ilegal e se eu queria voltar pra luta. Eu falei que sim e tinha um tempo pra respirar. Depois da luta que eu fui me ligar que se eu não voltasse ele seria desclassificado, mas na hora eu estava no automático e queria continuar. Mas quando voltou eu estava em outro mundo e tomei muitos golpes que eu não tomaria em uma luta normal. Eu poderia ter sido nocauteado ali e perder a luta de bobeira. Mas na vontade de vencer eu voltei e falei que estava pronto, mas deveria ter dado um tempo ali ou nem voltado, porque eu estava em outro mundo. Essa foi a verdade. Mas se o juiz deveria punir ele antes, não posso dizer, mas o Marc (Goddard) é um ótimo juiz. Realmente aquela luta estava muito louca. Era briga de bar.
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Roman Bogatov perdeu dois pontos após acertar o quarto golpe ilegal em Leo Santos no UFC 251 — Foto: Jeff Bottari\Getty Images
Uma reclamação constante de quem te acompanha é que o UFC não o coloca pra lutar com tanta frequência. Chegou a conversar sobre isso com o Dana White? E qual sua expectativa para este segundo semestre?
Até os repórteres lá na luta me perguntaram porque eu não venho lutando tanto, e mandei falarem com o Dana White. Aí ele falou que vai resolver isso. Acredito que até o fim do ano eu devo lutar. Até pedi mais uma luta aqui na ilha, se fosse possível, mas depois dessa luta minha mão tá inchada, meu cotovelo tá inchado de tanto bater na cabeça do russo, então seria impossível lutar agora, mesmo sendo de reserva. Mas seria legal se conseguisse uma luta aqui, só que acho que não vou conseguir. Vou tentar empurrar pro final do ano e vamos torcer pra dar certo.