Futebol e emoção

17 de fevereiro de 2020 126

Os italianos chamam de "Tifosi" (de tifo, doença infecto-contagiosa) os torcedores de times de futebol, o esporte mais praticado no mundo todo, especialmente no Brasil, considerado o "País do futebol". A meu ver, esta paixão deveria merecer mais atenção por parte da FIFA, a entidade que dirige as várias federações internacionais, visando provocar fortes emoções                                                        pela marcação de mais gols, pois os fãs vibram muito quando a bola entra na rede. Chega a ser desagradável gastar tempo e dinheiro para assistir um jogo que termine zero a zero. Para evitar isso, bastaria limitar o impedimento apenas à pequena área do goleiro, pondo fim ao anti-jogo do avanço dos zagueiros para deixar os adversários impedidos. Assim, mais gols sendo marcados, provocaria a vibração dos tifosos. Outra medida salutar seria substituir jogadores faltosos expulsos por outros, sem desfalcar o time.

            Dizer que essas ou outras mudanças não podem ser realizadas porque "sempre foi assim", seria justificar a inoperância e o obscurantismo dos dirigentes do futebol no mundo todo. Infelizmente, tal mentalidade conservadora e retrograda domina não apenas nos esportes, mas também nas artes, na política, na moral, na religião, na pseudociência. Basta pensar nos atuais "terraplanistas", que ainda defendem postulados bíblicos. Mais do que pela tradição, a vida é induzida ao progresso                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            pela evolução, que deveria guiar a humanidade sempre em busca de uma felicidade coletiva, pois nenhuma pessoa, comunidade ou nação pode prosperar sozinha.

            Essa foi a intenção da criação da ONU (Organização das Nações Unidas), em 1948, que, infelizmente, não conseguiu evitar guerras pelo egoísmo das superpotências. Melhor êxito obteve a "Revolução de Maio" de 1968, em Paris, quando a  juventude conseguiu mudanças culturais que permitiram uma maior liberdade de costumes. Os governantes, em lugar de parar no tempo e no espaço, deveriam pensar no futuro, tentando remover as causas primordiais das desgraças da humanidade. Se uma delas é a miséria, que assola especialmente os povos mais prolíferos, por que não promover uma campanha mundial de planejamento familiar? Tal medida ajudaria também na questão ambiental. Muitos problemas poderiam ser resolvidos se usássemos inteligência e espírito comunitário!                                                                                                                                                  

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Salvatore D' Onofrio
Dr. pela USP e Professor Titular pela UNESP
Autor do Dicionário de Cultura Básica (Publit)
Literatura Ocidental e Forma e Sentido do Texto Literário (Ática)
Pensar é preciso e Pesquisando (Editorama)
www.salvatoredonofrio.com.br
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