Vorcaro acusa Davi Alcolumbre de receber R$ 155 milhões em propina

12 de junho de 2026 21

Banqueiro do Master afirma em delação que presidente do Senado recebeu US$ 30 milhões em conta no exterior; Alcolumbre nega e promete processar

O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado e do Congresso Nacional, é alvo de uma das acusações mais graves do escândalo do Banco Master. Segundo relatos de Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira, Alcolumbre teria recebido US$ 30 milhões — aproximadamente R$ 155 milhões — em propina em troca de apoio a demandas de interesse do banco.

A informação consta em propostas de delação premiada apresentadas por Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com os relatos, o valor foi depositado em uma conta secreta no exterior e repassado ao parlamentar por meio de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro.

Alcolumbre nega categoricamente qualquer envolvimento em irregularidades. Em nota, o presidente do Senado anunciou que vai acionar a Justiça para que Vorcaro responda por "falsas acusações". As revelações do ex-banqueiro, no entanto, precisam ser comprovadas para ter validade jurídica.

A rede de influência do Banco Master

O escândalo do Banco Master, com rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões, expõe não apenas fraudes contábeis e inflação artificial de ativos, mas uma impressionante rede de conexões construída por Vorcaro junto aos Três Poderes da República.

Confinado há três meses, o ex-banqueiro promete detalhar em delação pagamentos a outras autoridades, incluindo membros do Judiciário e do Executivo. A possibilidade de uma delação abrangente transformou Brasília em um cenário de elevada tensão.

A meteórica ascensão de Vorcaro não foi obra apenas de competência empresarial. O banqueiro promovia festas que misturavam atrizes, modelos estrangeiras, políticos, juízes e empresários. Sua frota de jatos estava sempre à disposição de personagens influentes, e ele não economizava na distribuição de mimos a figuras das mais diversas correntes ideológicas.

O Judiciário também na mira

Além de Alcolumbre, Vorcaro citou em seus relatos um membro do Judiciário que teria recebido dele R$ 15 milhões, dentro de um negócio descrito como "completamente fora do padrão". Segundo o banqueiro, o pagamento foi efetuado por Fabiano Zettel, seu cunhado, que está preso e é acusado de ser o operador financeiro das principais transações ilegais do Master.

Vorcaro também se prontificou a contar detalhes da atuação de outro membro do Judiciário que, segundo ele, agiu secretamente na defesa dos interesses do banco quando a instituição já estava na iminência de ser liquidada pelo Banco Central.

Essas revelações se somam a rumores de citações a outras autoridades, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-governador do Rio Cláudio Castro e Antonio Rueda, presidente do União Brasil.

A guerra entre a defesa e os investigadores

A Polícia Federal e a PGR já rejeitaram duas propostas de delação de Vorcaro. A primeira, há cerca de três semanas, foi considerada superficial por se restringir a casos já sob investigação. A segunda, entregue na semana passada, também frustrou os investigadores.

De acordo com a defesa do ex-banqueiro, a recusa tem motivação política. Os advogados levaram ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a reclamação de que PF e PGR não estariam interessadas em apurar denúncias graves, como o pagamento a Alcolumbre.

"A motivação dos investigadores para rejeitá-las seria política." — Defesa de Daniel Vorcaro, em reclamação ao STF.

A Polícia Federal, por sua vez, acusa Vorcaro de tentar usar a delação para inocentar amigos próximos e omitir informações. Segundo os investigadores, o banqueiro apresentou capítulos inteiros que isentavam personagens sobre os quais existem evidências concretas de participação nas fraudes.

A situação levou o ministro André Mendonça a não mais receber um dos advogados do banqueiro. Sempre questionado sobre o processo, Mendonça repete que não interfere nas investigações, mas tem alertado sobre a necessidade de o trabalho ser conduzido com "independência, imparcialidade e de forma não seletiva".

Os danos já causados: de Flávio Bolsonaro a Guido Mantega

A apuração do escândalo já causou danos à biografia de várias autoridades. O fundo de pensão dos funcionários do Amapá, por exemplo, comprou R$ 400 milhões em títulos podres do Master. O órgão era comandado por um ex-tesoureiro da campanha de Alcolumbre.

No telefone de Vorcaro, a polícia encontrou conversas com Alexandre de Moraes e um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da mulher do ministro. O ministro Dias Toffoli foi afastado do caso após se descobrir que foi sócio de uma empresa com negócios com o Master.

Mais recentemente, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, apareceu em gravação pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. A revelação interrompeu a ascensão do senador nas pesquisas e impulsionou seu principal adversário.

Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, tinha contrato de R$ 10 milhões com o Master. Em dezembro de 2024, levou Vorcaro para uma audiência com Lula no Palácio do Planalto, com a presença de Gabriel Galípolo, então futuro presidente do Banco Central, e do ministro Rui Costa.

O que está em jogo

Daniel Vorcaro pode esclarecer esses e outros episódios, envolver em suas revelações essas e outras autoridades. É isso que faz da série de segredos do Master um espectro que assusta e justifica o esforço de alguns para que o caso seja abafado.

Considerando o tamanho do rombo e as inúmeras evidências de negociatas, o Brasil espera que a investigação avance e seja feita justiça.

A pergunta que resta é inevitável: quantas carreiras políticas e reputações institucionais serão destruídas quando a delação finalmente for homologada e todos os nomes vierem à luz?

 

Fonte: ALAN ALEX
PAINEL POLITICO (ALAN ALEX)

Alan Alex Benvindo de Carvalho, é jornalista brasileiro, atuou profissionalmente na Rádio Clube Cidade FM, Rede Rondovisão, Rede Record, TV Allamanda e SBT. Trabalhou como assessor de imprensa na SEDUC/RO foi reporte do Diário da Amazônia e Folha de Rondônia é atual editor do site www.painelpolitico.com. É escritor e roteirista de Programas de Rádio e Televisão. .