TJSP dá decisão final sobre obra em mansão de bilionário dono da Cimed

27 de fevereiro de 2026 21

O imbróglio que envolve a mansão do bilionário João Adibe, dono da Cimed, nos Jardins, teve seu desfecho na Justiça paulista com acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que negou recursos do empresário e manteve embargo judicial da obra.

Revelado pelo Metrópoles, o caso se trata de uma batalha jurídica entre o bilionário, a associação do bairro, Ame Jardins, e um banqueiro vizinho de Adibe.

O responsável pela construção é o empresário João Adibe (foto em destaque)presidente da farmacêutica Cimed e 86º homem mais rico do país, com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões, segundo a revista Forbes. Nos últimos meses, Adibe também passou a frequentar o noticiário esportivo, citado como possível futuro presidente do Palmeiras.

A decisão de primeira instância que foi mantida havia mandado paralisar a obra, embora a defesa argumentasse que ela já estava finalizada, em fase apenas de “ajustes decorativos” e paisagismo. Além disso, a Justiça havia garantido ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) a autorização de vistoria completa no imóvel, uma vez que os Jardins são um bairro tombado.

A Justiça havia também vedado a expedição do Habite-se da obra. No entanto, o documento já havia sido expedido pela prefeitura na época da decisão, em dezembro do ano passado. Na ocasião, os desembargadores argumentaram que a mera emissão do documento não garante a regularidade da obra.

O obra havia sofrido embargo administrativo e, a pedido da prefeitura, foi aberto um inquérito por desobediência na Polícia Civil.

A prefeitura afirmou ao Metrópoles que, em janeiro, o Habite-se da obra foi suspenso. “A medida foi adotada após constatação de que a obra foi executada em desacordo com o projeto aprovado”, diz a gestão.

 

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Imagem da obra da mansão de João Adibe anexada ao processo

Imagem aérea de obra de mansão anexada ao processo

Imóvel de João Adibe visto de fora, em imagem anexada ao processo

Tensão nos Jardins

A Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins) entrou com uma ação civil pública alegando que a obra foi aprovada como uma simples reforma, mas resultou na demolição quase total da construção original — um imponente casarão que teria tido apenas a fachada preservada, segundo a petição. A defesa de Adibe, por sua vez, afirmou que a obra foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses.

O Jardim Paulista, onde fica o lote, é um bairro estritamente residencial e submetido a rígidas restrições urbanísticas. Segundo a associação, a construção desrespeita regras de tombamento dos Jardins, ao extrapolar alturas máximas, descumprir recuos obrigatórios e realizar intervenções não previstas no projeto aprovado, como a construção de um segundo pavimento em uma edícula.

A AME Jardins ainda denunciou a supressão da vegetação do lote, com pavimentação que compromete a permeabilidade do solo, além de danos como infiltrações, redução de insolação e invasão de privacidade imóvel vizinho.

A ação relata também que as obras continuaram apesar de embargos do Condephaat e da Subprefeitura de Pinheiros.

“Os vídeos em anexo, datados de 06/12/2025 (sábado), demonstram com clareza a continuidade da conduta recalcitrante, irregular e mesmo ilegal dos réus, que menosprezam as decisões administrativas e as multas aplicadas, seguindo seu intento construtivo como melhor lhe aprouver, ainda que ao arrepio das normativas”, diz a inicial.

Casa de banqueiro com fissuras

Um dos vizinhos que se dizem diretamente afetados pelas obras é o banqueiro André Schwartz, CEO do banco Genial. Um laudo técnico anexado à ação aponta que a demolição quase integral do imóvel vizinho, somada a serviços de terraplenagem pesada e uso de equipamentos de grande porte, teria provocado danos à residência de Schwartz.

O documento aponta o surgimento de trincas e fissuras nas paredes da casa, além de prejuízos ao uso regular do imóvel, que fica ao lado da mansão.

Em meio à polêmica, o banqueiro apresentou uma petição ao Condephaat na qual classificou como “deboche” um vídeo publicado pela mulher de Adibe, a influencer Cinthya Marques, em meio às ordens de embargo.

Na gravação publicada no fim de agosto (veja abaixo), ela descreve a movimentação de trabalhadores no local. “A betoneira está rolando ali. Tem gesseiro, tem eletricista. Também não sei o nome de tudo”, diz no vídeo, cujo link foi anexado no documento.

Assista:

Em seu perfil com quase 300 mil seguidores, Cinthya ainda mostra detalhes da residência – como a fonte de inspiração para sua piscina. ”Quando eu assisti o documentário do Gianni Versace, eu tinha certeza de uma coisa, que a próxima piscina da minha casa ia ser inspirada nele. Eu acho que o Gianni Versace ia ficar orgulhoso de mim, hein?”

Em outros trechos, a influencer exibe a enorme garagem, o closet e o banheiro, acrescentando que a obra utilizou 43 tipos diferentes de pedras. “E as pedras mais bonitas são as nacionais”, frisa.

O que diz o dono da mansão

Em dezembro, os advogados de João Adibe, Daniel Bialski e Fabio Kadi, afirmaram que “a obra da casa foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses, portanto, não procede qualquer imputação de embargo”.

“O imóvel inclusive possui o Habite-se, o que comprova a inidoneidade das alegações apresentadas. Aliás, a família reside no local há tempos”, acrescenta o comunicado.

A nota afirma ainda que, em ação anterior, há um laudo elaborado por perito judicial que descartou qualquer responsabilidade de João Adibe sobre os problemas relatados pelo vizinhos. “O documento atesta, ainda, que os danos relatados são oriundos de má conservação daquele”.

De acordo com o comunicado, uma ação sobre o mesmo caso movida pelo vizinho teve todas as cautelares indeferidas pela Justiça.

A reportagem procurou a assessoria de Adibe nesta quarta-feira (25/2), mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto.

Fonte: Artur Rodrigues