Temer, Segóvia e as perguntas da PF

Justamente na semana em que acaba o prazo para que responda às 50 perguntas da Polícia Federal sobre o suspeito decreto dos portos, Michel Temer chamou para uma conversa o diretor da PF, Fernando Segóvia. Mas disse o Planalto que a reunião foi para tratar de segurança. Se fosse, dela teria participado o ministro da Justiça, chefe da Força Nacional de Segurança. Ou o ministro da Defesa, Raul Jungmann, já que as Forças Armadas agora são usadas cada vez como polícia. Sintomaticamente, quem participou do encontro foi o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, que tem sido o assessor jurídico de Temer em suas encrencas judiciais.
Todo mundo fingiu que acreditou mas não podem ter tratado de outra coisa. Só num governo completamente despudorado o presidente da República convoca o diretor da Polícia Federal para tratar de um questionário apresentado pela própria Polícia Federal, a pedido do relator de um processo, o ministro do STF, Roberto Barroso.
As perguntas são cabeludas, e terminam com a interpelação direta sobre recebimento de propina para a edição do decreto que favoreceu a Rodrimar com a prorrogação da concessão no Porto de Santos. Temer pode nada responder, o que corresponderia a seu direito de ficar calado num depoimento.
Em breve, acaba o prazo fixado para as diligências e o inquérito será devolvido à Procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Como venho dizendo, não se deve subestimar a possibilidade de que ela apresente uma terceira denúncia contra Temer. A opção é pedir o arquivamento do inquérito, apesar das evidências amazônicas de que tem caroço neste decreto.
MAIS LIDAS
Cármen, Kassio e Toffoli serão "fiéis da balança" em sessão sobre Moraes
Os nomes do PT que correm por fora para suceder Lula
Nome de operação da PF contra Lulinha incomoda entorno de Lula
A POLITICA COMO ELA é (POR : TEREZA CRUVINEL)
Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247; E colaboradora do site www.quenoticias.com.br