Presidente e três diretores da Rioprevidência: quem são os alvos da PF

23 de janeiro de 2026 24

Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (23/1) contra o presidente e ex-diretores do Rioprevidência no âmbito da Operação Barco de Papel, que apura investimentos de alto risco feitos com recursos do fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos inativos do Estado do Rio de Janeiro.

Um dos endereços alvo da operação foi a residência do presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes (foto em destaque), localizada em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

Também foram alvos Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de Investimentos do fundo, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, que ocupou o cargo de diretor de Investimentos interino. Além dos endereços residenciais, agentes da PF estiveram na sede do Rioprevidência, no Centro do Rio.

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Investimentos sob suspeita

A operação investiga nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões do Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.

Segundo a Polícia Federal, os investimentos expuseram o patrimônio da autarquia a “risco elevado”, incompatível com a finalidade previdenciária do fundo.

Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e têm como objetivo reunir documentos, registros financeiros e comunicações internas que indiquem como as operações foram estruturadas, autorizadas e mantidas.

Auditoria deu origem ao inquérito

O inquérito foi instaurado em novembro de 2025, após auditoria da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social.

O relatório apontou concentração excessiva de recursos em ativos de longo prazo, com vencimentos previstos apenas para 2033 e 2034, em desacordo com princípios de segurança, liquidez e prudência exigidos na gestão de fundos previdenciários.

Em resposta anterior, o próprio Rioprevidência reconheceu que cerca de R$ 960 milhões foram aplicados nessas Letras Financeiras entre outubro de 2023 e agosto de 2024 e informou que negociava a substituição dos papéis por precatórios federais.

Alertas do TCE foram ignorados

Antes da deflagração da operação, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já havia emitido sucessivos alertas sobre a política de investimentos do fundo. Em outubro, o tribunal determinou tutela provisória proibindo o Rioprevidência de realizar novas transações com o Banco Master ou com instituições que não atendessem aos critérios de segurança financeira.

Segundo o TCE, até julho, cerca de R$ 2,6 bilhões, 25% de todo o volume aplicado pelo fundo, estavam expostos a ativos ligados ao conglomerado do Banco Master.

Entre os casos analisados, o tribunal destacou o aporte superior a R$ 1 bilhão no Arena Fundo de Investimento, administrado pela Master S/A Corretora.

O fundo teve o Rioprevidência como único cotista e apresentou rentabilidade inferior à poupança e muito abaixo do CDI, o que levou os técnicos a apontarem ausência de vantajosidade econômica.