Por que Lula subiu o tom contra Donald Trump na reunião do G7

18 de junho de 2026 18

Em ano eleitoral, uma viagem internacional para participar de um fórum com as principais economias tem imenso potencial de dar errado para a imagem interna de um governante que tenta conquistar mais um mandato. Os adversários podem fazer barulho, por exemplo, sobre os custos e as imagens dos lugares luxuosos que a maior parte dos brasileiros não pode frequentar. Ou, ainda, explorar qualquer episódio que possa ser interpretado como sinal de desprestígio, inconveniência ou pouca relevância diante dos maiores líderes mundiais.

O presidente Lula correu esses riscos durante a reunião do G7 que terminou nesta quarta-feira, 17, na França. Mesmo assim, ele subiu o tom ao falar de Donald Trump, que impôs novas tarifas a produtos brasileiros depois que os dois se encontraram em maio em Washington. O petista elevou a retórica por considerar que hoje o cenário é bem diferente daquele que prevalecia quando foi recebido pelo presidente americano na Casa Branca.

Em discurso, Lula rebateu uma declaração, dada mais cedo por Trump, de que o Brasil é “um país politicamente difícil”. Ao se referir ao presidente americano, usou a expressão “coisa desaforada” e disse que ele “continua agindo como imperador”. Afirmou ainda que não pediu reunião bilateral porque o Brasil e os Estados Unidos estão em negociação sobre as tarifas. “Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema”, discursou Lula. “Eu acho que ele [Trump] conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil. O Bolsonaro já está preso”, acrescentou.

Cumprimento nos bastidores
Para membros do governo, a mensagem de possível desprestígio diante de Trump acabou neutralizada após a divulgação de um vídeo com o cumprimento entre os dois nos bastidores da cúpula. Lula também falou sobre soberania, discurso que pretende reforçar durante a campanha e mandou o recado de que não aceita interferência nas eleições do Brasil.

No Planalto, foi feita a avaliação de que o presidente conseguiu transmitir nos discursos, em entrevista e nas movimentações entre os líderes mundiais a ideia de que age com “altivez e  “coragem”. Para a equipe de comunicação de Lula, essa é uma imagem positiva para ser mostrada na campanha.

Fonte: Luciana Lima