Polícia investiga suspeita de fraude em testamento de empresário com fortuna de mais R$ 1 bilhão

2 de junho de 2026 21

Policiais da Delegacia de Defraudações investigam um esquema envolvendo um testamento de um empresário, dono de patrimônio estimado em mais de R$ 1 bilhão, que inclui precatórios milionários e imóveis no Rio, na Região Serrana e em São Paulo. O documento foi assinado pela vítima, que estava em estado terminal de câncer, duas horas antes de sua morte. Cinco pessoas são investigadas pela Polícia Civil por fraude, apropriação indébita, organização criminosa e por suspeita de terem se aproveitado da fragilidade do homem para assumir o controle de suas empresas e movimentar altos valores.

Entre elas estão uma advogada e um policial militar. A primeira figura no testamento como inventariante e administradora dos bens do empresário. Segundo a polícia, ela já respondeu a processos por suspeita de fraude nos Estados da Bahia e de São Paulo. Além disto, a polícia investiga ainda mudanças societárias em empresas da vítima, ocorridas quando ela já estaria hospitalizada. Nesta segunda-feira, os policiais deflagraram a Operação Último Suspiro e cumpriram 22 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Entre o material apreendido estão telefones celulares. Os aparelhos serão periciados e terão seus conteúdos analisados pelos investigadores.

Oswaldo Rodrigues Vieira Filho morreu em novembro de 2025 — Foto: Reprodução

Oswaldo Rodrigues Vieira Filho morreu em novembro de 2025 — Foto: Reprodução

O empresário Oswaldo Rodrigues Vieira Filho, de 78 anos, era dono de de pelo menos duas empresas. Uma delas, assim como ele próprio, era detentora de precatórios milionários. Ele morreu no dia 19 de novembro de 2025, em um hospital da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, onde estava internado. Duas horas antes, Oswaldo assinou um testamento, na presença de um representante de um cartório, nomeando a advogada como inventariante e administradora de seus bens.

A Polícia Civil afirma ter laudos médicos atestando que o paciente não tinha pleno gozo de suas capacidades clínicas para a celebração de negócios jurídicos, como, por exemplo, fazer um testamento.

— Nós temos dois laudos dizendo que ele não tinha capacidade para celebrar negócio jurídico e para emitir sua própria vontade. O empresário tinha duas pessoas jurídicas e era administrador dessas empresas, que possuíam créditos oriundos de precatórios judiciais, créditos milionários. Para se ter uma ideia, apenas um crédito que foi efetivamente repassado aos investigados totalizava R$ 38,5 milhões. Houve outras transferências. O que estamos tentando verificar com as buscas é em que circunstâncias essas pessoas se aproximaram do falecido; em que contexto esses documentos, procurações e alterações contratuais foram realizados, tendo em vista que a informação que temos, inclusive com base em pareceres médicos, é de que o falecido, pouco antes de sua morte, não tinha capacidade de compreensão e de manifestação de vontade — afirmou o delegado Marcos Buss, da DDEF.

As investigações revelaram indícios de um sofisticado esquema em que o grupo atuava para assumir, de forma indevida, o controle de empresas. As alterações societárias consideradas suspeitas começaram a ocorrer três meses antes da morte do empresário. Uma delas diz respeito a uma pessoa jurídica, que pertencia ao empresário, e era detentora de precatórios milionários. Na época, Oswaldo já estava internado em um centro de tratamento intensivo.

A mudança teria possibilitado a criação de uma terceira empresa, da qual o empresário e seus herdeiros ficaram excluídos. Para esta nova pessoa jurídica teria sido transferido o controle de recursos financeiros originalmente pertencentes a Oswaldo .

Outro elemento que chamou a atenção da polícia foi a cessão de parte de um precatório avaliado em aproximadamente R$ 38,5 milhões para escritórios de advocacia poucos dias antes da morte do empresário. Além disso, os agentes identificaram que, apenas sete dias após a morte da vítima, mais de R$ 1,1 milhão foram depositados na conta da investigada, valor que teria origem em créditos relacionados aos precatórios.

Segundo a polícia, dos cinco suspeitos investigados, quatro prestaram depoimento, enquanto um quinto se reservou ao direito de falar apenas em juízo. Em suas declarações, de acordo com o delegado, a advogada alegou que o testamento foi elaborado de forma legal e que o documento apenas expressava a vontade do empresário em vida.

Ainda de acordo com a investigação, ela e Oswaldo teriam se conhecido há alguns anos, quando ele a contratou para tratar de assuntos jurídicos.

Como o caso tramita em sigilo, o Extra não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos.

Fonte: Por Marcos Nunes — Rio de Janeiro