PIPAS E BALÕES SE TORNARAM LETAIS
Uma menina de 12 anos, no município de Álvares Machado (interior paulista), teve no domingo passado a péssima ideia de, através da janela, esticar a cabeça para fora do carro.
Sofreu um corte profundo no pescoço, causado pela linha com cerol (mistura de cola com vidro moído ou pó de ferro, aplicada em linhas de pipa para cortar outras pipas). Morreu.
No fim do século passado, eu atravessava um viaduto a uns 60 quilômetros por hora e, de repente. o motoqueiro que estava logo à frente parou por completo.
Não dá para explicar qual o motivo de eu ter dado uma freada brusca, cantando os pneus, em vez de ultrapassar a moto pela pista ao lado, como costumava fazer nessas situações.
Fábrica de plásticos incendiada por queda de balão
Ele havia parado porque percebeu uma linha de pipa no seu caminho. Se eu não tivesse conseguido brecar, atiraria a moto para a frente e ele morreria decapitado. Ademais, talvez meu carro se desgovernasse e me causasse um grave acidente.
Eu havia feito matérias sobre funcionários da Duratex cujo hobby era confeccionar pipas e balões. Simpatizei com ambos, pois havia muito de arte em seus passatempos.
Depois, aprendi que pipas poderiam matar gente e balões incendiar construções (houve inclusive uma fábrica de fotos de artifício que foi pelos ares).
Tudo era menos perigoso na minha meninice. Nosso mundo ficou muito sem graça quando brotaram proibições como cogumelos. Lamentei por minhas filhas, que tiveram de crescer convivendo com esses terrenos minados. Mas... (por Celso Lungaretti)
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