PF mira pessoas ligadas ao líder do PL em operação sobre suspeita de desvios de cota parlamentar

1 de julho de 2026 25

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a terceira fase da Operação Rent a Car — chamada de Galho Fraco II —, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um esquema de desvio de recursos públicos vindos de cotas parlamentares.

A operação mira pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, segundo informações obtidas pelo blog. O parlamentar não está entre os alvos desta quarta, mas já foi em uma etapa anterior da investigação.

g1 entrou em contato com o deputado, mas ainda não obteve resposta.

🔎Cota parlamentar é um valor mensal em dinheiro que deputados e senadores recebem do orçamento público para cobrir despesas ligadas diretamente ao exercício do mandato, como passagens aéreas, hospedagens, alimentação, manutenção de escritório e contratação de consultorias, por exemplo. É um recurso extra, além do salário.

 

De acordo com investigadores, esta fase da operação tem como objetivo apurar a versão do deputado sobre dinheiro achado pela PF em endereço ligado a ele durante a segunda fase da operação, em dezembro do ano passado.

Na época, R$ 47 mil em dinheiro vivo foram encontrados durante busca e apreensão. Ele justificou que os recursos seriam originados da venda de um imóvel, mas a PF suspeita desta versão (relembre no vídeo abaixo). Por isso, cumpre diligências para aprofundar as investigações.

PF apreende cerca de R$ 400 mil em espécie em endereço ligado a Sóstenes Cavalcante

PF apreende cerca de R$ 400 mil em espécie em endereço ligado a Sóstenes Cavalcante

Operação da PF

As medidas judiciais, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais para coleta e preservação de elementos de prova.

As investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos públicos. Todos os alvos são advogados, que não tiveram a identidade divulgada.

Há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual.

Nas fases anteriores, foram identificadas supostas irregularidades na contratação de empresa de locação de veículos com recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). Os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e Carlos Jordy (PL-RJ) foram alvos de mandados de busca e apreensão, assim como assessores e advogados deles.

A atual fase aprofunda as apurações sobre a movimentação e a destinação desses recursos.

Fonte: Por Camila Bomfim