PCDF descarta envolvimento de outros profissionais em mortes na UTI

23 de janeiro de 2026 20

Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) descartou a participação de outros profissionais de saúde nas mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).

Segundo fontes ligadas à investigação, a autoria dos crimes se restringe aos três técnicos de enfermagem presos no caso.

De acordo com os investigadores, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28 e 22 anos, respectivamente, são os únicos apontados como responsáveis pelos homicídios apurados até o momento.

“No início, investigamos várias pessoas. Todas foram descartadas. Do hospital, já descartamos todo mundo que estava trabalhando. Só se depois aparecer alguma coisa nos celulares envolvendo alguém de fora”, afirmou uma fonte da apuração à coluna.

Denúncia partiu do próprio hospital

A investigação teve início em 23 de dezembro de 2025, quando a PCDF recebeu uma denúncia considerada atípica: o próprio hospital informou suspeitas de assassinatos cometidos dentro da UTI por técnicos de enfermagem.

As vítimas — João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33, servidor dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos — não se conheciam, tinham idades diferentes e moravam em regiões distintas. O único ponto em comum era o período de internação na UTI do Hospital Anchieta, entre novembro e dezembro do ano passado.

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Três profissionais são investigados pelo crime

Marcos Vinícius Silva

O suspeito tem 24 anos

O homem é apontado como líder do grupo

O técnico de enfermagem confessou os crimes

Em nota, a instituição informou que identificou circunstâncias atípicas relacionadas à atuação dos três técnicos. Com base em uma investigação interna, o hospital solicitou a abertura de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados da unidade.

Operação Anúbis

Após receber a denúncia, a PCDF recolheu imagens do circuito interno de segurança, ouviu testemunhas e manteve troca constante de informações com o hospital.

Com o inquérito em estágio avançado, a primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada em 11 de janeiro, resultando na prisão de dois dos investigados. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.

Na última quinta-feira (15/1), a polícia cumpriu o terceiro mandado de prisão temporária. Novas apreensões de dispositivos eletrônicos ocorreram em Ceilândia e Samambaia.

Celulares podem indicar novas vítimas

Os celulares apreendidos durante a operação foram encaminhados ao Instituto de Criminalística da PCDF para análise pericial. A quebra de sigilo busca identificar pesquisas, mensagens e eventuais trocas de informações entre os investigados.

Segundo o delegado Maurício Iacozzilli, após a conclusão do inquérito que apura as três mortes já confirmadas, a polícia deve instaurar um novo procedimento para verificar se há outros homicídios ligados aos plantões dos suspeitos.

“Vamos cruzar dados de óbitos registrados nos dias de plantão dos investigados, não apenas no Hospital Anchieta, mas também em outras unidades de saúde onde eles tenham atuado ao longo da carreira”, afirmou.

Fonte: Mirelle Pinheiro