Pacheco e a inevitável conversa de Lula com Alcolumbre na viagem à Turquia
Para a viagem que fará à Turquia e às Filipinas na próxima semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Os dois contarão com o apoio do petista nas eleições para o comando das Casas, no próximo ano. Com Alcolumbre, Lula tem um assunto pendente: a indicação do ex-senador Rodrigo Pacheco, hoje ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF (Supremo Tribunal Federal).
Entre governistas, o compromisso de Lula de atender ao desejo de Alcolumbre e emplacar Pacheco na Corte é dado como certo. A expectativa é que a indicação seja feita assim que o presidente voltar de viagem. A pressa se deve à incerteza sobre a recondução de Alcolumbre, diante da nova composição do Senado, bem mais conservadora, que tomará posse em fevereiro. A ideia é votar a indicação ainda neste ano, antes do recesso parlamentar.
Aliados de Pacheco avaliam que esse é o melhor cenário. Segundo eles, o ex-senador tem apoio do centrão, de alguns parlamentares de direita e também de petistas, que estariam convencidos da importância dos gestos de Alcolumbre a Lula durante o segundo turno. Por isso, no PT, já se dá como perdida a ideia de Lula voltar a indicar o ministro Jorge Messias, da AGU (Advocacia-Geral da União). Messias teve o nome rejeitado para o STF em abril, em uma articulação conduzida por Alcolumbre, que na época estava em choque com Lula por discordar da escolha. Foi uma derrota histórica para o presidente: 42 votos contrários e 34 favoráveis. Era a primeira rejeição de um indicado ao Supremo em 132 anos.
Em maio, Pacheco, que era cotado por Lula para disputar o governo de Minas Gerais, anunciou o encerramento da vida política. Em setembro, assumiu a cadeira no TCU.
Na Turquia, Lula participará da Conferência do Clima (COP31), em Antália, nos dias 11 e 12 de novembro. Depois, segue para Manila, nas Filipinas, onde estará na cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) nos dias 14 e 15