Cotado para a Fazenda de Flávio Bolsonaro, Kayath diz que corte de gastos não resolve problema fiscal

8 de outubro de 2026 19

247 – Cotado para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), o economista Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse, afirmou que o problema fiscal brasileiro não poderá ser solucionado apenas com cortes de despesas. Em entrevista à CNN Brasil, concedida na quarta-feira (7), ele defendeu um choque de gestão no setor público, com combate a desperdícios e ineficiências nos três Poderes, antes da adoção de medidas que exijam sacrifícios da população.

Segundo Kayath, a insistência exclusiva na redução de gastos não oferece uma solução suficiente para os desafios das contas públicas. “A gente só cortar, cortar, cortar e achar que vai resolver… não vai resolver. É muito chato só ficar falando de corte de gasto, tirar dinheiro das pessoas. Tem que pensar como uma coisa temporária. É como ir ao dentista, ninguém gosta”, declarou. Segundo ele, o que vai resolver o problema da dívida brasileira é a retomada do crescimento econômico.

Choque de gestão nos três Poderes

O economista argumentou que a reorganização fiscal deve começar pelo próprio funcionamento do Estado, com iniciativas destinadas a eliminar desperdícios e melhorar a eficiência administrativa nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Na avaliação de Kayath, essa estratégia ajudaria a construir credibilidade para a política econômica, demonstrando à sociedade que o poder público também está disposto a rever suas práticas antes de exigir esforços adicionais dos cidadãos.

“Choque de gestão é mostrar para a população que estamos fazendo nosso trabalho, combatendo ineficiências no Judiciário, Legislativo e Executivo antes de pedir o sacrifício da população”, afirmou.

Para o economista, a melhoria da gestão pública deve anteceder um ajuste fiscal de caráter estrutural e sustentável, capaz de reorganizar as contas do país sem depender exclusivamente de medidas de contenção de despesas.

Programas sociais devem ser preservados

Kayath também defendeu que eventuais medidas de ajuste fiscal não comprometam os programas sociais, especialmente diante das desigualdades econômicas e sociais brasileiras.

Segundo ele, a preservação dessas políticas deve ser uma premissa da reorganização das contas públicas, evitando que a população de menor renda seja a primeira a suportar os custos do ajuste.

“Uma vez que mostrar credibilidade, tem que ser cirúrgico. Tem que preservar os programas sociais, que não podem ser afetados. É uma premissa básica. Num país desigual como o Brasil a gente não pode dizer ‘os mais pobres têm que sofrer primeiro’”, declarou.

A posição apresentada pelo economista coloca a manutenção da proteção social entre as condições que, segundo ele, devem orientar uma eventual política de consolidação fiscal.

Juros menores e combate ao endividamento

Outro ponto abordado por Kayath foi a relação entre a situação fiscal do país, as taxas de juros e as perspectivas de crescimento econômico.

Na avaliação do economista, um ajuste fiscal sustentável poderia contribuir para a redução dos juros, criando condições mais favoráveis para a atividade econômica e para a renegociação de dívidas das famílias brasileiras.

Ele ressaltou, entretanto, que o enfrentamento do endividamento exige medidas que vão além da renegociação imediata dos débitos. Para Kayath, também é necessário criar condições para impedir que os consumidores voltem a acumular dívidas.

“Com a queda dos juros, passa a ter condição melhor e de renegociar as dívidas. Os programas até agora não surtiram o efeito necessário. É um problema difícil. Temos que não só resolver o problema de curto prazo, mas evitar que a pessoa volte a se endividar”, concluiu.

As declarações de Kayath apresentam algumas das diretrizes econômicas que ele defende em meio às discussões sobre a condução da política fiscal brasileira e à disputa presidencial de segundo turno, marcada para 25 de outubro.

Fonte: BRASIL 247