OPOSIÇÃO APELA ÀS RUAS
A oposição já tem um novo pedido de impeachment registrado em cartório e Eduardo Cunha continua tendo o poder de acolher ou não tais pedidos. Mas diante da entrada do STF em cena – o que impedirá qualquer manobra que fira a ordem institucional – e dos sinais de um acordo entre Cunha e o governo – que pode mandar para o arquivo todos os pedidos que forem apresentados – a oposição está apelando novamente para as ruas.
O movimento Vem Pra Rua, com apoio discreto do PSDB e do DEM, está convocando uma manifestação pró-impeachment em São Paulo para a próxima segunda-feira, dia 19, a partir das 18h. Os outros grupos e movimentos anti-governo devem aderir. Eles pedirão que Cunha autorize a tramitação do novo pedido de abertura do processo de impeachment contra Dilma e vão orientar os participantes a comparecerem de verde e amarelo carregando bandeiras do Brasil. Vamos ver no que dará, embora as pesquisas indiquem que a maré dos protestos entrou em minguante, com menos gente apoiando o impeachment. O fator “apoio político” é importante num processo de impeachment, mas quando ele já está em curso. As manifestações constrangem os deputados a votar a favor. Mas no momento atual, o que está em causa é a legalidade dos ritos e nesta fase, as togas falarão mais alto.
A manifestação de segunda-feira, qualquer que seja sua dimensão, abrirá a semana crucial para os destinos de Cunha e do governo. Negado tanto pelo PT quanto por Cunha nesta quinta, um suposto acordo entre eles seria complicado, sujeito a muitas dificuldades operacionais, mas uma espécie de movimento compulsivo de sobrevivência. Tal acordo poderia garantir a Cunha apenas os votos petistas e de aliados para ele formar, com seus nove aliados fiéis, uma maioria segura no colegiado e evitar a aprovação de um pedido de cassação de seu mandato. E ainda assim, é amplamente sabido que o PT não controla o voto de todos os petistas.
Já o poder de Cunha é maior. Ele pode simplesmente recusar os pedidos de impeachment da oposição e mandar arquivá-los, sem que a oposição tenha direito a recurso. Por isso Cunha está pedindo mais. Está pedindo o que o governo não lhe pode dar, que seria alguma ajuda junto ao STF ou à PGR. Mas ainda assim, o acordo seria o que há de melhor para ele e para o governo Dilma.
É verdade que a oposição se desgastou por aliar-se a Cunha e que o PT e o governo também pagariam caro pela incoerência. Afinal, ele seria um dos “moralistas sem moral” contra quem bradou a presidente anteontem. Mas nesta altura, soterrado por uma montanha de desgaste, o PT quer apenas sobreviver, e Dilma apenas garantir o mandato.
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A POLITICA COMO ELA é (POR : TEREZA CRUVINEL)
Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247; E colaboradora do site www.quenoticias.com.br