Kassio Nunes Marques aponta esforço para tirá-lo do processo sobre o Master

23 de outubro de 2026 18

247 – A dois dias da votação do segundo turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, classificou como “recortes e retalhos” de conversas de terceiros as menções ao seu nome achadas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O magistrado sustentou não manter qualquer tipo de relação com o empresário e afirmou que enxerga uma articulação estruturada para afastá-lo do caso.

Durante entrevista concedida ao jornal O Globo, o presidente da Corte Eleitoral desqualificou o teor dos trechos interceptados e rechaçou ilações sobre conduta inadequada ou recebimento de vantagens indevidas por parte de seus familiares. “São recortes e retalhos extraídos de celulares de terceiros, de pessoas que eu não conheço e não autorizei que falassem por mim. São tantos retalhos que não conseguimos nem responder. Hoje em dia se criminaliza alguém que manteve um diálogo. No meu caso, até hoje insistem nisso. Eu não me recordo de nenhum diálogo com Vorcaro. É uma colcha de retalhos que terá um momento certo para ser analisada. Sei que há um esforço para me tirar do processo. Pelo que estou vendo, todo esse esforço é para que eu me julgue impedido”, declarou.

Indagado sobre quem estaria por trás dessa movimentação, o ministro evitou dar nomes específicos, mas sugeriu a existência de interesses políticos e estratégicos por trás dos vazamentos de dados: “de quem tem interesse nisso. Muita gente porque, ao fim e ao cabo, levaria a isso. Esse filme eu já vi acontecer lá atrás com outro colega”.

O magistrado fez questão de diferenciar encontros casuais de conexões comerciais ou profissionais no ambiente da capital federal, negando categoricamente negócios com o ex-controlador da instituição financeira. “Defina relação. Estão criminalizando o conhecimento social que as pessoas têm. Se quer saber se fiz algum negócio com ele, aí é diferente. Isso nunca existiu. Eu nunca pedi nada a ele. Ele nunca me pediu nada. Agora, se nos encontramos alguma vez em algum lugar, também não tem como saber. Em Brasília, você encontra todo mundo”, argumentou.

Diante do questionamento sobre registros policiais que indicam repasess de recursos ao seu filho, Kevin, o presidente do TSE sublinhou que sua atuação jurisdicional jamais favoreceu o investigado. “Meu filho nunca recebeu nada do Master e nenhum parente meu jamais advogou para o banqueiro. O sigilo do meu filho foi quebrado indevidamente e ficou comprovado que ele recebeu R$ 281,6 mil (dez parcelas de R$ 28 mil) da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos. Estes são os fatos. Nunca votei a favor de Vorcaro, inclusive dei voto pela manutenção da prisão”, ressaltou.

Sobre a mensagem “dominado aqui”, digitada pelo ex-diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, ao citar o contato de Kevin logo após um voto do ministro na Justiça, Nunes Marques rebateu qualquer ingerência externa em seus posicionamentos. “Nunca autorizei ninguém a falar em meu nome e não posso me responsabilizar por conversas ou ações de terceiros. Em relação a essa ação da usina mencionada, o Master não tinha qualquer participação”, garantiu.

Da mesma forma, ao tratar da sua declaração de impedimento para analisar acusações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes nos desdobramentos do caso Master, o magistrado indicou que reavaliará sua posição apenas após a conclusão das obrigações do pleito eleitoral. “Estou totalmente envolvido com o calendário eleitoral. Vou deixar para responder quando isso vier a acontecer”, finalizou.

Fonte: Guilherme Levorato