Operações contra Castro complicam estratégia da direita para mandato-tampão no Rio
O pedido de vista do ministro Flávio Dino, STF, no julgamento que debate as eleições no Rio de Janeiro transformou o futuro político do estado em uma espécie de limbo institucional que tem irritado setores da direita fluminense, especialmente após as operações da Polícia Federal contra o Cláudio Castro (PL) relacionadas ao escândalo do Banco Master e às conexões com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Desde abril, quando o julgamento foi interrompido no plenário, o estado segue sem definição sobre a sucessão no Palácio Guanabara. A crise começou após a renúncia do então governador dias antes de ser condenado à inelegibilidade pelo TSE. O então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (PL), também acabou condenado pela Justiça Eleitoral, o que abriu espaço para que o presidente do TJRJ, Ricardo Couto de Castro, assumisse interinamente o comando do estado.
A indefinição ganhou novos capítulos depois que o deputado Douglas Ruas (PL), aliado de Castro e escolhido para presidir a Alerj, tentou assumir o mandato-tampão, mas teve o pedido barrado pelo Supremo até a conclusão do julgamento. Ruas também é a aposta do ex-governador para disputar a eleição para o mandato-tampão, da mesma forma ainda sem previsão. Integrantes da direita fluminense avaliam o cenário como “aberração institucional”, sobretudo pelo fato de Ricardo Couto acumular simultaneamente o comando do Judiciário e do Executivo estadual. “Se tem criminosos, que sejam presos. Mas a Constituição precisa ser respeitada”, resumiu ao PlatôBR um político do campo conservador.
O impasse se instalou justamente quando o STF formava maioria favorável à realização de eleição indireta para definir o governador-tampão do Rio. A suspensão manteve Ricardo Couto no cargo e bloqueou a tentativa do deputado Douglas Ruas de assumir o governo estadual pela linha sucessória. Desde então, o interino ampliou a intervenção administrativa no estado e promoveu cortes de mais de 3 mil comissionados, assim como a revisão de contratos que somam R$ 81 bilhões.
Degustação exclusiva
O cenário complicou ainda mais a expectativa da direita após a PF revelar, nesta quarta-feira, 27, encontros e conversas entre Castro e Daniel Vorcaro antes de aportes milionários do Rioprevidência no banco Master. Documentos da investigação mostram que o então governador do PL participou, em maio de 2024, de uma degustação exclusiva de uísque organizada pelo banqueiro em Nova York, evento restrito a dez convidados e avaliado em mais de R$ 5 milhões. Segundo a PF, no dia seguinte ao encontro, o fundo previdenciário estadual realizou um aporte inicial de R$ 80 milhões na instituição financeira, seguido por outros investimentos milionários.
Antes da nova fase das investigações sobre o escândalo financeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu ao palco no último fim de semana ao lado do governador interino Ricardo Couto e pediu que fossem presos “todos os ladrões” e integrantes de “milícias organizadas” ligados à política fluminense. O discurso aumentou ainda mais a tensão no cenário estadual e pode refletir nos planos conservadores o comando do Palácio Guanabara.