Operação do MPSP: rede de agiotas fez 62 vítimas em SP; 18 perderam imóveis

6 de novembro de 2026 32

São Paulo — Pelo menos 18 pessoas perderam seus imóveis para uma rede de agiotas investigada em São Paulo. Nesta sexta-feira (6/11), o Ministério Público de São Paulo (MPSP), o 1° e o 10° Batalhão de Ações Especiais (Baep), além de policiais civis do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter 2) de Campinas, interior paulista, realizam a Operação Shylock, para desarticular o grupo que emprestava dinheiro, a juros altíssimos.

Há, ao todo, 62 vítimas. Entre os crimes cometidos pelos suspeitos estão usura, extorsão, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica.

Segundo as investigações, os alvos usavam empresas de fachada para movimentações financeiras suspeitas e transferências patrimoniais destinadas à dissimulação dos recursos obtidos com as atividades ilícitas.

A Justiça decretou 11 mandados de prisão preventiva e outras 24 ordens judiciais de busca e apreensão foram expedidas em endereços residenciais e empresariais em Campinas. Há também bloqueio de bens e valores, sequestro de imóveis e afastamento cautelar de função pública.

As mandados são cumpridos nos bairros Cambuí, Jardim Chapadão, Parque Prado, Nova Campinas, Nova Europa, Taquaral, Vila dos Plátanos, Vila Lemos e Vila São Bernardo.

Entre os presos está um escrevente de cartório de notas de Campinas.

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), órgão vinculado ao MPSP, identificaram cerca de 50 operações realizadas pelo grupo que agia de forma estruturada com divisão de tarefas. Cada integrante, segundo o MPSP, tinha uma função, entre captação de vítimas, negociação de empréstimos, formalização contratual, administração financeira, cobrança e ocultação dos valores obtidos ilicitamente.

Ainda conforme o MPSP, a operação tem como objetivo interromper as atividades do grupo investigado, além de aprofundar e preservar na identificação dos fluxos financeiros dos beneficiários finais das transações suspeitas, e garantir a recuperação de ativos obtidos ilicitamente.

“As medidas cautelares também visam proteger vítimas que ainda possam estar submetidas ao esquema criminoso e impedir a dissipação do patrimônio supostamente adquirido com recursos provenientes das infrações penais apuradas”, pontuou o órgão.

Fonte: Camila Olivo, Marcus Pontes