Lula dá carta branca à PF no caso Toffoli, STF reage e crise do Banco Master deve crescer após o carnaval
247 – A reabertura do ano político em Brasília, na volta do carnaval e a partir da Quarta-Feira de Cinzas, ocorre sob um ambiente descrito como conflagrado e marcado por desconfiança entre Planalto, Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF), impulsionado pelo avanço do escândalo envolvendo o Banco Master. As informações foram publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo, na coluna da jornalista Vera Rosa.
No centro da nova fase da crise está a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de dar “carta branca” ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para aprofundar apurações que alcançam o ministro do STF Dias Toffoli e sua relação com Daniel Vorcaro, apontado como dono do Banco Master. A iniciativa, segundo o relato, gerou forte reação interna no Supremo e ampliou o desgaste entre magistrados e o governo, apesar da aliança institucional construída desde os atos golpistas de 8 de Janeiro.
Planalto aciona PF e abre fissura com o Supremo
A ordem política para “ir a fundo” no caso, “doa a quem doer”, descrita na reportagem, passou a ser lida no STF como um movimento de confronto direto. Nos bastidores, Lula teria sido chamado de "ingrato" por integrantes da Corte que, após 8 de Janeiro, atuaram em sintonia com o Planalto na defesa das instituições. A reação expõe o quanto o caso Master extrapolou o noticiário policial e se transformou em disputa de poder, com suspeitas cruzadas e danos à confiança entre autoridades.
A crise se agravou quando Toffoli deixou a relatoria do caso Master e, em seguida, vieram à tona vazamentos sobre uma sessão secreta do Supremo com elogios a ele. No enredo reconstituído pelo jornal Estado de S. Paulo, a sequência alimentou suspeitas de monitoramento interno e de quebra de protocolos, gerando a pergunta que passou a circular em Brasília: teria havido grampo no Supremo? A atmosfera descrita é a de um “romance policial”, no qual “todos viraram suspeitos”.
Toffoli sai da relatoria, mas o caso ganha novos protagonistas
O texto aponta que, para ministros do STF, a Polícia Federal teria agido de maneira "clandestina e ilegal" ao avançar sobre Toffoli sem autorização da Procuradoria-Geral da República. A contestação foi rebatida por Andrei Rodrigues, que sustentou que as informações repassadas ao presidente do STF, Edson Fachin, constavam no celular apreendido de Vorcaro.
Com o Supremo retratado como "em chamas" no relato, Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news — descrito no texto como o inquérito do "fim do mundo" desde 2019 — solicitou à Receita Federal o rastreamento da quebra de sigilo de dados de ministros e de seus familiares. A apuração identificou vazamentos atribuídos a servidores da própria Receita, incluindo um auditor e um funcionário cedido pelo Serpro, segundo a reportagem.
Essa frente adiciona um componente explosivo: a crise deixou de ser apenas a investigação sobre o Banco Master e passou a envolver a integridade do sistema de proteção de dados de autoridades, com repercussões diretas sobre a credibilidade e a segurança institucional em um dos momentos mais sensíveis do calendário político.
Congresso busca controlar danos e empurra disputa para CPIs
O jornal Estado de S. Paulo descreve que, no Congresso, deputados e senadores do Centrão e também da esquerda, já sob pressão do calendário eleitoral de outubro, articulam uma queda de braço para administrar o desgaste. Embora o discurso público seja de apuração ampla, a movimentação de bastidores apontada é para evitar que avancem propostas de comissão parlamentar destinada a investigar o Banco Master, ao mesmo tempo em que se tenta direcionar o foco para a CPI do INSS.
A leitura política por trás desse esforço é dupla. De um lado, parlamentares tentam reduzir o potencial de desgaste de aliados, protegendo frentes vulneráveis. De outro, o próprio governo avalia como extrair dividendos do tumulto, reposicionando forças na disputa por pautas e por espaços no xadrez institucional.
A reportagem também menciona que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avisou que não pautará pedidos de impeachment de ministros do STF. Na prática, a sinalização funciona como barreira a uma escalada formal do conflito, mas não impede o aumento do atrito político, sobretudo quando a crise passa a influenciar disputas de narrativa e de hegemonia no pós-carnaval.