Lula aceitará renúncia de Jaques Wagner
Lula deve aceitar renúncia de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado em meio às suspeitas ligadas ao banco Master
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda nossa confiança”, declarou o presidente do PT, Edinho Silva, embora externando todo apoio às investigações sobre o banco Master. Já o presidente Lula, segundo auxiliares, deve discutir com Wagner sua saída da liderança do governo no Senado. O próprio Wagner tomaria a iniciativa, alegando que o faz para preservar o governo e para dedicar-se à própria defesa em relação às suspeitas levantadas pela nona fase da Operação Compliance Zero.
Lula, de sua parte, segundo auxiliares, aceitaria a renúncia como decisão provisória, esperando que o aliado demonstre sua inocência e possa voltar a ocupar o cargo, ainda que na prática isso dificilmente possa acontecer. O presidente, de fato, não parece ter alternativa para evitar o dano potencial do escândalo. O mais provável substituto seria o senador Camilo Santana (PT-CE).
A medida seria semelhante à que adotou o ex-presidente Itamar Franco em 1993, quando seu chefe do Gabinete Civil, Henrique Hargreaves, foi investigado pela CPI do Orçamento. Demonstrada a improcedência das acusações, Hargreaves voltou ao cargo em 1994.
Lula tem com Jaques Wagner, a quem chama na intimidade de “Galego”, conhecida relação de amizade e confiança, mas nem por isso insistirá em mantê-lo numa função política de sua própria escolha. Como candidato à reeleição, esta seria uma decisão altamente inadequada no momento em que ele amplia a vantagem sobre o adversário Flavio Bolsonaro, gravemente atingido pelas relações espúrias mantidas com Daniel Vorcaro, mas enfrenta também os primeiros sinais de ingerência de Donald Trump na disputa em favor de Bolsonarinho e família. A hora é de blindagem, não de camaradagem.
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A POLITICA COMO ELA é (POR : TEREZA CRUVINEL)
Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247; E colaboradora do site www.quenoticias.com.br