Gordura visceral: por que o acúmulo entre os órgãos preocupa mais do que o excesso de peso

29 de junho de 2026 20

O excesso de gordura corporal é uma preocupação para muitas pessoas, mas nem sempre o maior risco à saúde é representado pela gordura visível.

O que mais aumenta o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas é a chamada gordura visceral, acumulada entre os órgãos internos, apontou um estudo da Universidade McMaster, no Canadá.

Diferentemente da gordura localizada sob a pele, a gordura visceral pode passar despercebida por anos. Mas ela atua como um tecido inflamatório, favorecendo alterações que aumentam o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), diabetes tipo 2 e colesterol alto.

"A gordura na barriga, visceral, é a mais perigosa para o organismo", explicou a cardiologista Cynthia Valério, diretora da Associação Brasileira do Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica.

A gordura visceral fica principalmente na cavidade abdominal, entre órgãos como fígado, estômago, intestinos e pâncreas. Em alguns casos, pode atingir estruturas localizadas entre os pulmões e até o coração.

Gordura visceral favorece alterações que aumentam o risco de infarto, AVC, diabetes tipo 2 e colesterol alto — Foto: Reprodução/TV Globo

Gordura visceral favorece alterações que aumentam o risco de infarto, AVC, diabetes tipo 2 e colesterol alto — Foto: Reprodução/TV Globo

Em quantidades normais, essa gordura ajuda a proteger os órgãos. O problema acontece quando há um excesso, e ela passa a liberar substâncias inflamatórias que comprometem o funcionamento do organismo.

Esse processo provoca aumento dos triglicerídeos, redução do HDL (o chamado colesterol "bom"), favorece a resistência à insulina — que pode evoluir para diabetes tipo 2 — e acelera a formação de placas de gordura nas artérias.

Essas placas podem obstruir vasos importantes, como as artérias coronárias e as carótidas. Quando se rompem, podem interromper a circulação sanguínea e provocar infarto ou AVC.

O acúmulo de gordura visceral também pode afetar o fígado, provocando a esteatose hepática, doença que, quando não tratada, pode evoluir para cirrose e até câncer.

Como identificar a gordura visceral

O jeito mais simples de suspeitar do acúmulo de gordura visceral é medir a circunferência abdominal. O ideal é que a cintura tenha até 80 centímetros em mulheres e 94 centímetros em homens.

E, embora o sobrepeso aumente o risco, médicos alertam que pessoas com peso considerado normal também podem apresentar excesso de gordura entre os órgãos.

Fatores genéticos podem favorecer o problema, mas o estilo de vida continua sendo determinante.

Médicos avaliam exames laboratoriais, histórico familiar e exames de imagem para identificar pacientes com maior risco.

O estudo da Universidade McMaster reforçou que a gordura visceral continua sendo um importante fator de risco para doenças cardiovasculares mesmo quando colesterol, pressão arterial e diabetes estão controlados.

Segundo os especialistas, a principal estratégia para evitar esse tipo de gordura é impedir o aumento da circunferência abdominal ao longo da vida, mantendo alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos.

Fonte: Por Fantástico