Ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima repassou prédios de luxo à Odebrecht em meio à crise do Master
Ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, o empresário Augusto Lima transferiu para a OR, empresa do grupo Novonor (antiga Odebrecht) especializada em mercado imobiliário, a construção e a comercialização de ao menos dois empreendimentos de luxo na Bahia ligados à sua holding, a Terra Firme Realty S.A.
A movimentação ocorreu em outubro de 2025, quando o Banco Master já caminhava para o colapso. Cinco meses antes, o Banco Central havia barrado a venda da instituição ao BRB. Sem comprador e cercado de incertezas, o banco acabaria liquidado semanas depois.

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No mercado imobiliário do estado, a operação de Lima não passou despercebida. E havia motivo para isso.
Naquele período, Augusto, chamado de “Guga” entre aliados e empresários do setor, já lidava com os efeitos que antecederam a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição que controlava à época.
Fontes ouvidas pela coluna afirmam que o empresário buscava reorganizar o patrimônio e acelerar negociações envolvendo até mesmo outros imóveis.

Foi nesse contexto que a OR assumiu o Amarama Barra, empreendimento erguido em um dos metros quadrados mais caros de Salvador. O projeto está atualmente sob responsabilidade da Gavazza Empreendimentos Imobiliários Ltda., que tem como sócia a Terra Firme.
Voltado para moradores de alta renda e investidores de aluguel por temporada, o Amarama tem o repertório clássico do mercado imobiliário de luxo à beira-mar: piscina privativa, deck, hidromassagem e vista permanente para o Atlântico. São 203 unidades anunciadas entre R$ 374 mil e R$ 1,35 milhão.
Outro ativo entregue à antiga Odebrecht foi o One, também na Barra. Próximo à praia, o condomínio tem cobertura, piscina, hidromassagem e espaço gourmet. Nas áreas comuns, academia, coworking e pet place.
Os valores dos apartamentos variam de R$ 499 mil a R$ 650 mil, podendo chegar a R$ 1,2 milhão ou mais, dependendo do acabamento.
O One pertence à Morro da Barra Empreendimento SPE Ltda., cuja única sócia é a Terra Firme.
Questionada sobre as movimentações, a defesa de Augusto Lima preferiu não se manifestar. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Já a OR afirmou que atua apenas como prestadora de serviços nos empreendimentos ligados ao empresário, sendo responsável pela construção e pelo apoio à comercialização das unidades.
Veja a íntegra da nota:
“A OR esclarece que foi contratada, na qualidade exclusiva de prestadora de serviços, para atuar na construção e no apoio à comercialização das unidades dos empreendimentos Amarama e One, ambos localizados no bairro da Barra, em Salvador (BA), que têm como proprietárias as empresas Morro da Barra Empreendimentos SPE Ltda. e Gavazza Empreendimentos Imobiliários Ltda., respectivamente. Em nenhuma dessas empresas a OR teve ou tem participação societária.
Os projetos foram originalmente lançados entre 2023 e 2024, enquanto a OR passou a prestar os serviços apenas em outubro de 2025, quando as obras de ambos os empreendimentos já estavam em andamento. Como é comum em projetos dessa natureza, a OR não possui qualquer responsabilidade pela incorporação dos empreendimentos.”
Quem é Augusto Lima
Detido na primeira fase da Operação Compliance Zero, Augusto Lima ficou preso por 11 dias, entre 18 e 29 de novembro de 2025. Ele foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mas segue monitorado por tornozeleira eletrônica.
Além do Banco Master, Augusto Lima foi controlador do Banco Pleno, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro. Ele é casado com Flávia Péres, ex-ministra do governo Bolsonaro.
Foi ainda durante o governo Rui Costa, ex-chefe da Casa Civil do presidente Lula, que Augusto Lima venceu licitação para explorar o CredCesta, cartão de pagamento voltado a servidores públicos com desconto em folha. O negócio impulsionou o Banco Master.