Dissimulação, planejamento e alinhamento a Trump marcam fuga de Flávio para os EUA
O senador Flávio Bolsonaro, sua mulher, Fernanda, e as duas filhas do casal chegaram aos Estados Unidos às 10h31 desta quarta-feira, 28. O plano de fuga de Flávio, após a derrota nas urnas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, envolveu uma articulação entre aliados e correligionários do senador. Ao longo de toda a terça-feira, 27, eles se empenharam em distribuir informações desencontradas, ora admitindo a saída de Flávio do país, ora se mostrando surpresos com a atitude do senador.
Ao chegar aos Estados Unidos, Flávio descumpre uma ordem judicial de entrega do passaporte, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele é investigado por suspeitas de irregularidades no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, e por possível lavagem de dinheiro em caso que envolve o advogado Willer Tomaz, amigo e sócio de Flávio em uma casa de apostas online.
O que se viu ao longo de toda a terça-feira por parte de aliados de Flávio foi uma possível encenação com o objetivo de garantir a saída do senador do país. Segundo informações oficiais da Direção Nacional de Migrações da Argentina, a saída ocorreu às 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província de Misiones.
Além do despiste, há suspeitas de que a fuga tenha envolvido um planejamento minucioso, inclusive com a previsão de concessão de visto de permanência pelo governo americano à família do senador. Ainda não há informações oficiais de autoridades brasileiras sobre a fuga. Até aqui, os dados foram divulgados apenas pelas autoridades argentinas, na madrugada desta quarta-feira, 28, após a decolagem do avião que levou Flávio primeiro a Guayaquil, no Equador, e depois a Miami, na Flórida.