Ciclone 'bomba' no sul do país deve aumentar a força dos ventos no Rio

6 de agosto de 2026 18

O alerta severo disparado pela Defesa Civil da cidade do Rio por volta das 5h da manhã desta quarta-feira reacendeu a preocupação dos cariocas ainda impactados pelo vendaval que, na semana passada, deixou milhares de imóveis sem energia e provocou transtornos em diversos bairros. De acordo com meteorologistas, há previsão de formação de um possível ciclone "bomba" no sul do país entre esta quinta-feira e sábado, que pode afetar o Rio. O estado deve enfrentar ventos mais fortes entre esta quinta e sexta-feira, segundo a previsão do Climatempo. A expectativa é que as rajadas ganhem força ao longo do dia, com os maiores acumulados previstos para a sexta, podendo chegar a 110 km/h.

Nesta quinta-feira, o estado do Rio está em estágio de Observação, com ventos previstos entre 40 e 50 km/h. Esse nível de intensidade pode fazer com que grandes galhos de árvores fiquem em movimento.

Na sexta-feira, a intensidade dos ventos aumenta significativamente pelo estado, dividindo as regiões entre áreas de alerta e de perigo.

Serra, Sul e Costa Verde: Entram em estágio de perigo, com rajadas de vento que variam de 91 km/h até 110 km/h. Nestas condições, há riscos consideráveis de queda de árvores e danos estruturais em construções.

Grande Rio e demais áreas do RJ: Ficam em estágio de Alerta, registrando ventos de 71 a 90 km/h. Há risco de queda de galhos, árvores e danos estruturais em construções.

Segundo especialistas ouvidos pelo EXTRA, o ciclone deve se formar sobre o mar, entre a costa do Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul, e permanecer naquela região. Mesmo assim, seus efeitos indiretos podem ser sentidos pelo Rio. Isso porque a frente fria associada ao ciclone deve provocar a intensificação dos ventos.

— O ciclone não passa sobre o Rio de Janeiro. O que influencia o estado é a frente fria associada a esse sistema. Ela deve canalizar umidade e favorecer ventos, mas, hoje, os modelos indicam uma influência menor do que no último evento — explica o meteorologista Guilherme Borges.

O meteorologista César Soares, da Climatempo, faz a mesma avaliação. Segundo ele, o sistema permanece no Sul, mas altera a pressão atmosférica em uma área extensa.

— Ele não vai para o Sudeste. O impacto no Rio será indireto. A variação de pressão provocada pelo ciclone favorece a ocorrência de ventos fortes, principalmente na Costa Verde, Região Serrana e também na Região Metropolitana — explica Soares.

O que é ciclone bomba?

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que monitora a possível formação do ciclone entre a Argentina, o Uruguai, o Sul do Brasil e o Oceano Atlântico nos próximos dias, explica que o ciclone "bomba" é fruto de uma baixa pressão muito intensa. Quando essa formação ocorre num curto período de tempo, ele recebe esse nome.

Já o que explica os ventos fortes nos próximos dias no Rio, segundo os especialistas, é o contraste entre a massa de ar quente que atua sobre o Centro-Oeste e parte do Sudeste e a chegada de uma massa de ar frio associada à frente fria.

Guilherme Borges afirma que essa disputa entre o ar quente e o ar frio favorece rajadas mais intensas, principalmente em áreas naturalmente mais expostas, como o litoral e a Região Serrana. Os especialistas explicam que os ventos devem ganhar força gradualmente ao longo da sexta-feira, atingindo seu período mais crítico entre a noite de sexta, a madrugada e a manhã de sábado, sobretudo na Região Serrana, em Cabo Frio e em outras áreas do litoral.

César Soares, da Climatempo, afirma que a sexta-feira inteira exige atenção. Segundo ele, na Região Metropolitana as rajadas podem ficar entre 70 km/h e 90 km/h, enquanto áreas da Costa Verde e Serra podem registrar valores próximos de 90 km/h, com possibilidade pontual de se aproximarem de 100 km/h.

 

Fonte: Por Anna Bustamante — Rio de Janeiro