Cantor americano, DJ carioca e dois argentinos em ascensão: quem eram os passageiros mortos na tragédia aérea do Recreio

15 de junho de 2026 20

FOTO  GLOBO

Entre as últimas imagens deixadas pelas vítimas estão um Cristo Redentor cercado por nuvens, um cantor norteamericano que descobria o Brasil em partidas de futebol, churrascos e passeios por comunidades cariocas, e registros de uma viagem que reunia amigos, artistas e criadores de conteúdo de diferentes partes do mundo. Na manhã deste domingo, essas histórias se encontraram de forma trágica no céu do Recreio dos Bandeirantes. Na aeronave que explodiu após a queda estavam o piloto Alexandre Souza, prestes a completar 60 anos, e os passageiros Lucas Brito Chaves, conhecido como Lucas Frota, o cantor norteamericano Oliver Tree, o cineasta argentino Lucas Vignale e o influenciador argentino Gaspar Prim Díaz, o Gaspi. No outro helicóptero estava apenas o piloto Charles Marsillac.

Segundo informações obtidas pelo GLOBO, o grupo seguia para Angra dos Reis quando as aeronaves colidiram no ar. Durante a perícia, foram encontradas câmeras fotográficas e filmadoras entre os pertences dos passageiros, equipamentos que provavelmente pertenciam a Oliver Tree e aos amigos que o acompanhavam na viagem.

Entre todos os ocupantes, Oliver Tree era o nome mais conhecido internacionalmente. Nascido em Santa Cruz, na Califórnia, o cantor, compositor e produtor musical completaria 33 anos no próximo dia 29. Com mais de 12 milhões de ouvintes mensais no Spotify, era dono de sucessos como "Life Goes On". Ex-namorado da cantora americana Melanie Martinez, Oliver estava em meio a uma turnê internacional e tinha apresentações marcadas na Europa a partir de julho.

Nos últimos dias, porém, parecia mais interessado em viver o Brasil . Em vídeos publicados nas redes sociais, aparecia jogando futebol, vestindo a camisa da seleção brasileira, andando de motocicleta e conhecendo favelas cariocas. Em uma das gravações, chegou a afirmar que "o rock brasileiro é um milhão de vezes melhor que o rock americano".

Essa aproximação com o país passava diretamente por Lucas Frota. Carioca, tinha 27 anos e construiu uma carreira na música eletrônica vivendo entre Miami e Los Angeles. Começou a tocar aos 12 anos e, ao longo dos últimos anos, se apresentou em casas noturnas dos Estados Unidos e da Europa, além de trabalhar com selos especializados do gênero. Um de seus trabalhos mais recentes havia sido a gravação de um DJ set no Cristo Redentor, em dezembro do ano passado.

Foi também Lucas quem apareceu em estúdio ao lado de Oliver Tree semanas antes da tragédia. Em tom de brincadeira, publicou uma foto ao lado do cantor e escreveu: "Fiz Oliver Tree cantar forró ".

A morte do DJ provocou uma onda de homenagens. O produtor Victor WAO revelou que também participaria da viagem para Angra dos Reis, mas, por medo de voar, acabou desistindo do helicóptero no último momento e seguiu de carro. Em uma publicação emocionada, afirmou que devia a própria vida ao amigo.

O grupo era completado por dois argentinos que construíam carreiras ligadas à criação de conteúdo. Aos 23 anos, Gaspar Prim Díaz, conhecido como Gaspi, era um dos youtubers mais populares de seu país. Tinha quase 6 milhões de seguidores no YouTube e Instagram. Sua marca registrada era a saudação "BuUuuueeenas".

No ano passado, participou da "La Velada del Año V", evento de boxe entre influenciadores realizado na Espanha.

Ao seu lado estava Lucas Vignale, de 29 anos, apontado como uma das promessas da nova geração do cinema independente argentino. Nascido em Buenos Aires, trabalhou como editor antes de se destacar como diretor de videoclipes para artistas como J Balvin, Trueno e Bizarrap.

Neste ano, apresentou seu primeiro longa-metragem, "El Tren Fluvial", no Festival de Berlim. Pouco antes da viagem, comemorava nas redes sociais a exibição do filme no Lincoln Center e no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), classificando a experiência como um sonho realizado.

Gaspi e Vignale mantinham uma parceria criativa que extrapolava a amizade. Juntos, produziram conteúdos que ultrapassaram 17 milhões de visualizações. Em uma de suas últimas publicações, o cineasta compartilhou uma imagem do Cristo Redentor envolto por nuvens. "Deus", escreveu ele na legenda da publicação. Em outra, registrou o próprio Gaspi relaxando à beira de uma piscina.

A música, que ajudou a aproximar parte dos passageiros daquela viagem, também estava presente na trajetória do homem que pilotava a outra aeronave. Sozinho no segundo helicóptero estava Charles Marsillac, de 60 anos. Piloto comercial desde 2007, ele dividia a vida entre os voos e a música. Nas redes sociais, se apresentava como "piloto de helicópteros" e definia a atividade artística como um hobby. A frase escolhida para abrir seu perfil era "Alçando novos voos".

Nascido no Rio, chegou a tocar ao lado de Toni Garrido, então vocalista da banda Bel. Em 1994, os dois assinaram juntos a composição de "Minha Irmã". Mais tarde, Charles trabalhou com Léo Maia, filho de Tim Maia.

Alexandre Souza, de 59 anos, era quem comandava a aeronave que transportava o grupo. Segundo informações obtidas pelo GLOBO, completaria 60 anos na próxima terça-feira. O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou à GloboNews que tanto ele quanto Charles Marsillac eram profissionais experientes e com longas carreiras na aviação

 

Fonte: Por Anna Bustamante — Rio de Janeiro