Ambição dos EUA sobre terras raras do Brasil tensiona acordo Mercosul-UE

17 de fevereiro de 2026 20

Executivos da mineração e especialistas em Relações Internacionais avaliam que a abordagem dos Estados Unidos ao Brasil sobre a exploração de terras raras e minerais críticos pode tensionar o acordo entre Mercosul e União Europeia. O tratado prevê salvaguardas e regras específicas para esses minerais, usados na produção de baterias, ímãs, tecnologias de energia renovável e sistemas de uso militar.

A leitura ganhou força após a coletiva de quarta-feira, 11, em que Caleb Orr, secretário assistente de Estado para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais do governo Donald Trump, afirmou que Washington vê o Brasil como um “parceiro muito promissor” e tem interesse em apoiar o desenvolvimento de cadeias de refino e processamento no país. Hoje, essas etapas estão concentradas basicamente na China.

Para representantes do setor mineral e analistas que acompanham o tratado Mercosul-UE, o ponto sensível é que o acordo estabelece mecanismos específicos para o comércio dessas matérias-primas, consideradas estratégicas no tabuleiro geopolítico mundial.

Também de olho nos minerais raros do Brasil, a União Europeia aceitou condições favoráveis ao Brasil para poder incluí-los no acordo. Há no tratado salvaguardas às terras raras, que o Brasil pode acionar se considerar que o comércio desses minerais está sendo desfavorável. A eventual adesão do Brasil a um bloco liderado pelos EUA na área de minerais críticos pode alterar esse arranjo.

O tema ganhou dimensão adicional porque terras raras e outros minerais críticos são usados na indústria de defesa, presentes em sistemas militares, satélites e drones. “Os minerais fazem parte da equação do tabuleiro geopolítico mundial. Eles são importantíssimos nas indústrias bélica e tecnológica. Não à toa os EUA estão atuando tão incisivamente na Groenlândia”, disse o doutor em direito e comércio internacional pela PUC-SP Claudio Finkelstein.

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China. No setor, essa posição é vista como um fator a ampliar o peso estratégico do país nas negociações com diferentes blocos econômicos

Fonte: Gustavo Silva