Alívio no bolso ou custo nas alturas: como as exportações impactarão o preço da carne

23 de junho de 2026 16

 

Em tempos de Copa do Mundo, picanha e cerveja estão na boca do povo, literalmente. Mas mesmo depois da competição, seja qual for o desempenho da seleção brasileira, o assunto seguirá em voga. Em síntese, o custo das proteínas pode virar tema de campanha eleitoral, a depender da evolução dos preços das carnes. No debate eleitoral de 2022, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva prometeu baratear o preço da picanha e da cerveja. 

Em relatório aos clientes, o Bradesco alertou que o segundo semestre de 2026 será de grande incerteza nos segmentos de bovinos, suínos e frangos que enfrentam, cada um à sua maneira, um mesmo dilema: os preços internos dependem menos da demanda dos brasileiros e mais de variáveis externas difíceis de serem controladas — cotas, barreiras sanitárias e conflitos geopolíticos.

No mercado de bovinos, o Brasil se aproxima de atingir a cota isenta de tarifas para exportação à China, e as projeções do setor indicam que esse limite chegará nos primeiros dias de julho. A partir daí, as compras dos frigoríficos no mercado físico devem recuar, pressionando para baixo o preço do boi. A indústria terá de buscar outros mercados — com destaque para os Estados Unidos —, oferecer mais carne aos supermercados e açougues brasileiros ou simplesmente reduzir abates.

Frangos e suínos
Para suínos e frangos, a equação também passa pelo mercado externo, mas com apostas distintas. No caso dos suínos, o Brasil ganhou espaço global com o avanço da peste suína africana na Espanha e em outros países exportadores, abrindo portas nas Filipinas, no Japão e no México. O problema é que a oferta cresceu forte no primeiro trimestre, o que derrubou os preços dos animais vivos e afetou as margens do setor.

Por outro lado, o segmento de frangos é afetado por um tema delicado: a recuperação de preços passa pela resolução do conflito no Oriente Médio, região que concentra grandes compras dos produtos. Sem um salto nas exportações, a oferta interna pode reduzir os preços. O Golfo Pérsico é hoje o principal destino com potencial de compra de volumes consideráveis, e qualquer avanço diplomático ou humanitário na região pode ser o fator que define se o preço do frango sobe nas gôndolas brasileiras durante a campanha eleitoral de 2026. Na prática, a picanha pode voltar a ser tema de debates eleitorais.

Fonte: Antonio Temóteo