A reação de ministros do STF ao áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro

14 de maio de 2026 20

Ministros do STF reagiram, nos bastidores, à revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente bancar um filme sobre seu pai.

A avaliação de três ministros da Corte ouvidos pela coluna sob reserva foi a de que, inicialmente, o episódio terá mais impacto político. Os magistrados, contudo, não descartam implicações criminais.

Para um ministro do Supremo com bom trânsito no meio político, o material das conversas de Flávio e Vorcaro divulgado até agora indica que não haveria crime apenas no pedido de financiamento ao filme.

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Senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Esse ministro do STF prevê, contudo, que a divulgação do material provocará “estrago político” para Flávio, que é pré-candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de 2026.

“Se for, como dizem, um pedido de patrocínio para o filme com promessa de participação do patrocinador na bilheteria, não vejo problema. Mas acho que causa algum estrago político”,

Uma ala do STF pondera, contudo, que há espaço para possível investigação criminal. Para esses magistrados, alguns pontos sobre o suposto patrocínio de Vorcaro precisam ser esclarecidos.

O patrocínio de Vorcaro

A negociação entre Flávio e Vorcaro foi revelada pelo site The Intercept Brasil. O portal divulgou áudio no qual o senador cobra do banqueiro o patrocínio ao filme “Dark Horse”, que aborda a história de Jair Bolsonaro.

avaliou à coluna o ministro do Supremo. 

Além do áudio, Flávio cobrou Vorcaro por mensagens de texto. Uma delas foi enviada em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

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Conversa entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro (22 de outubro de 2025)

Conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro (22 de outubro de 2025)

Conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro (22 de outubro de 2025)

Conversa entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro (4 e 7 de novembro de 2025)

Conversa entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro (15 e 16 de novembro de 2025)

Segundo o Intercept, o valor total do contrato de patrocínio chegaria a R$ 134 milhões. Desse total, porém, somente R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.

A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, no entanto, afirmou em nota à imprensa que a produção não recebeu “um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro”.

O argumento foi reforçado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme. Em nota, o parlamentar disse que Flávio não teve qualquer sociedade no filme ou na produtora.

Frias afirmou que o papel de Flávio “limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados” em financiar o projeto.

A explicação da produtora e de Mário Frias acendeu o alerta no STF e levou alguns ministros do tribunal a defenderem a investigação sobre possível crime de corrupção nesse caso.

Para esses magistrados, é preciso apurar se o dinheiro foi enviado para o filme ou se foi desviado para outro destino, bem como se, em troca do patrocínio, Flávio atuou para favorecer Vorcaro de alguma forma.

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Para esses magistrados, é preciso apurar se o dinheiro foi enviado para o filme ou se foi desviado para outro destino, bem como se, em troca do patrocínio, Flávio atuou para favorecer Vorcaro de alguma forma.

A explicação de Flávio

Em nota à imprensa, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro, mas negou ter recebido vantagens. Segundo o senador, a conversa mostra “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado” sobre a história do pai.

O senador também destacou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, antes das acusações sobre o caso do Banco Master, e que retomou o contato com o banqueiro em 2025 após o atraso nas parcelas do patrocínio.

 

Fonte: IGOR GADELHA