A economia de ponta cabeça: Produtores dos EUA pagam para que empresas comprem o petróleo
20 de fevereiro de 2021
121
A aparente loucura que tomou conta do mercado de petróleo hoje pode ser resumida em uma frase: chegou a hora da verdade. Era uma crise que estava sendo adiada desde 2008, quando o sistema financeiro americano quebrou, mas os maiores bancos não fecharam porque foram salvos pelo Estado.
“O governo injetou dinheiro nos bancos, que, por sua vez, aumentaram o financiamento da produção de petróleo nos Estados Unidos”, disse o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Felipe Coutinho, que acompanhou o movimento nas bolsas de hoje.
“O coronavírus precipitou uma crise que viria, em um sistema que tem muito capital fictício e se alimenta de expectativa, de situações ilusórias”, afirmou.
“O coronavírus precipitou uma crise que viria, em um sistema que tem muito capital fictício e se alimenta de expectativa, de situações ilusórias”, afirmou.
A crise é muito maior no universo dos produtores dos Estados Unidos, organizados em torno do WTI (West Texas Intermediate) e com negociação na Bolsa de Nova York.
Esses produtores estão basicamente no Golfo Pérsico e no Estado do Texas.
Esses produtores estão basicamente no Golfo Pérsico e no Estado do Texas.
Hoje, quem tem petróleo comprado está pagando para que os produtores não entreguem o produto. Isso porque não há local para estocagem, já que o mundo — e principalmente os Estados Unidos — estão consumindo muito menos petróleo.
“Hoje estamos vivendo uma situação em que os navios petroleiros estão parados cheios de petróleo, à espera de que o consumo volte a aumentar”, comentou Felipe.
Na hipótese de que alguém, a essa altura, quisesse comprar o petróleo, em vez de pagar, receberia recursos, mas teria que fazer investimento para estocar o produto, já que o consumo foi drasticamente reduzido.
Há quatro meses, o barril de petróleo era negociado a US$ 65,9 dólares. Hoje, fechou pela primeira vez na história em valor negativo: – 37,6.
Há quatro meses, o barril de petróleo era negociado a US$ 65,9 dólares. Hoje, fechou pela primeira vez na história em valor negativo: – 37,6.
Na Bolsa de Londres, por outro, que negocia o produto de petroleiras em geral controladas por estados, a maioria do Oriente Médio, conhecido como Brent, o tombo foi muito menor e não chegou ao ponto do produtor, em tese, ter que remunerar o comprador.
A queda foi de 6,27%, com o barril negociado a 26,32 dólares o barril. Como o mercado lá fechou antes, é preciso aguardar até amanhã para saber se não haverá queda mais expressiva.
O fato é que, se mantida a queda recorde no preço do petróleo, há risco de contaminação do sistema financeiro e, inclusive, do valor da moeda dos Estados Unidos.
É que bancos alavancaram a produção de petróleo, com juro barato, mas não negativo. “Há o risco de contaminar o sistema financeiro e haver quebra de bancos”, disse Felipe.
A situação é inédita e exigirá saídas igualmente fora do padrão.
A ruína — pelo menos temporária — da indústria do petróleo é apenas uma face do fracasso da economia ultraliberal, sem regulação do Estado. É verdade que, em momentos de crise, como a de 2008, o capital muda seu discurso e se socorre do dinheiro público.
Desde o início da década de 80, a regra que funciona é: o lucro é privado, mas o prejuízo é público.
No fundo, se a sociedade não se organizar, quem vai pagar pelo fim dessa era é o mais pobre.
.x.x.x.

Felipe Coutinho, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras
O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras é o convidado desta noite do DCM TV, na live Essencial.
MAIS LIDAS
TCU dá 15 dias para Fazenda e bancos explicarem eventual federalização do BRB
POLÍTICA
28 de fevereiro de 2026
Vorcaro relatou que Motta queria “saber de tudo no detalhe”
POLÍTICA
16 de março de 2026
Câmara aprova PL que dá R$ 5 mil para mulheres terem arma; MP é contra
POLÍTICA
16 de março de 2026
BRB recorre de decisão que proíbe uso de imóveis para capitalização
JUDICIÁRIO
17 de março de 2026
‘Prévia do PIB’: economia cresce 0,8% em janeiro, mostra indicador do BC
ECONOMIA
16 de março de 2026
Fonte:
DCM