Yo Fordelone: Julho pode ser seu novo janeiro
Se janeiro é época de fazer planos, julho é o momento da auditoria. E aí eu te pergunto: como andam as metas do início do ano?
Ainda faltam seis meses para o encerramento do ano e a triste notícia é que a maioria das metas já foi abandonada. E não sou eu que estou dizendo. Diversas pesquisas mostram que boa parte das resoluções de Ano Novo não chega ao segundo semestre.
Um estudo da Universidade de Scranton, nos Estados Unidos, acompanhou americanos por seis meses e mostrou que por lá menos da metade ainda se considerava bem-sucedida em manter suas resoluções nessa altura do ano. Não há estudos paralelos no Brasil, mas arrisco dizer ue desistir no meio do caminho parece ser mais comum do que imaginamos.
A boa notícia é que julho também é uma oportunidade de recomeçar. Você não precisa esperar um novo calendário para ajustar a rota.
Este ano, uma das minhas principais metas foi cuidar melhor da saúde. Tenho compartilhado essa jornada nas redes sociais e, no processo, percebi que muitas das estratégias que funcionam para criar hábitos saudáveis também servem para organizar as finanças.
A primeira delas é definir metas possíveis. É muito mais motivador cumprir um objetivo menor do que estabelecer uma meta enorme e desistir na primeira dificuldade. Na academia, por exemplo, faz mais sentido começar treinando três vezes por semana e, quando isso virar hábito, aumentar a frequência.
Com dinheiro acontece a mesma coisa: talvez investir R$ 200 por mês seja mais sustentável do que prometer R$ 1.000 e abandonar o plano em fevereiro.
Outra lição é quebrar uma meta grande em etapas menores. Quando olhamos apenas para o objetivo final, ele pode parecer distante demais. Mas quando dividimos o caminho em pequenas conquistas, a sensação de progresso aparece com muito mais frequência.
No meu caso, queria ficar abaixo dos 70 kg, algo que não conseguia desde a minha gestação, há 3 anos. Agora que consegui, aumentei a meta para 65 kg.
A sua meta é de milhões de reais? Mas como vai fazer pra atingir os primeiros R$ 100 mil? Fone no próximo passo ao invés da corrida inteira.
Também aprendi a importância de identificar os gatilhos. No meu caso, o maior desafio é o doce. Então procuro não deixar chocolates espalhados pela casa e presto atenção aos momentos em que a vontade aparece. Os ovos de Páscoa das crianças que estavam sempre à vista foram escondidos no armário pra eu esquecer que eles existem. Parece besteira, mas funciona.
Com as finanças acontece algo parecido. Se você sempre compra por impulso quando está entediado ou navega em aplicativos de compras antes de dormir, talvez o problema não seja falta de disciplina, mas o ambiente que favorece aquele comportamento.
Por fim, percebi o poder da rotina. Hoje tenho horário para acordar, treinar e fazer cardio. Isso reduz o espaço para negociar comigo mesma. Curiosamente, uma das metas que não avançou este ano foi a leitura. E sabe por quê? Porque nesse ano não reservei um horário fixo para ela. Estou lendo bem menos do que gostaria.
Criar uma rotina vale para os investimentos também. Quem espera “sobrar dinheiro” no fim do mês normalmente não investe. Já quem agenda o aporte para o dia do recebimento transforma a decisão em hábito.
E repensando as minhas metas, meu último aprendizado é ter poucas metas. Em janeiro geralmente tenho o péssimo abito de querer abraçar o mundo, mas a vida acontece e os sonhos vão caindo um a um. Talvez focar em duas metas ao invés de cinco possa me gerar mais a sensação de dever cumprido.
Ainda temos metade do ano pela frente. Assim como eu, talvez você não consiga cumprir exatamente tudo o que escreveu em janeiro. Mas ainda dá tempo de ajustar as metas, simplificar o plano e terminar o ano muito melhor do que começou. Afinal, progresso costuma ser muito mais importante do que perfeição.