WhatsApp e eleições: a mudança de comportamento que pode impactar as campanhas

18 de julho de 2026 17

Se a eleição que levou Jair Bolsonaro ao poder em 2018 fosse hoje, dificilmente se reproduziria o ambiente de disparos em massa de conteúdos via aplicativos de mensagens que chegou a ser investigado pela Polícia Federal. Na época, de acordo com o inquérito da PF, empresários que apoiavam Bolsonaro financiavam centrais montadas para o envio desses conteúdos, muitas vezes falsos, por grupos do WhatsApp que se multiplicaram nos aparelhos de celular nas mãos dos eleitores.

A estratégia da campanha de Bolsonaro alavancou votos contra o então candidato do PT, Fernando Haddad. Em 2021, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) julgou as ações e absolveu a chapa formada por Bolsonaro e Hamilton Mourão, por entender que não havia provas robustas da participação direta deles nos disparos. Mas a prática de disparos em massa automatizados não declarados à Justiça passou a configurar crime eleitoral.

A razão, no entanto, da necessidade de mudança de estratégia de comunicação é outra. Os brasileiros se revelam pouco dispostos a acompanhar as eleições por meio de mensagens em grupos do WhatsApp e se mostram mais interessados em ver as entrevistas para conhecer as propostas de governo apresentadas pelos candidatos.

Formas de engajamento
Esse fenômeno de campanha apareceu na pesquisa Genial/Quaest realizada na última semana, que identificou mudanças na forma que os eleitores pretendem se engajar nas eleições. De acordo com o levantamento, 87% dos entrevistados não pretendem participar desses grupos em aplicativos. Somente 11% se mostram dispostos a se informar por esse meio, enquanto 2% responderam que talvez participem.

Entre os que querem ver entrevistas e a observar a divulgação das propostas dos candidatos estão 63% dos entrevistados. Além disso, 60% têm a intenção de acompanhar o noticiário sobre política.

Outro fator que chama a atenção na pesquisa refere-se à disposição do eleitor de acompanhar a eleição por meio das redes sociais. Nesse caso, 48% dizem que não pretendem ter as redes como fonte de informação e 47% dizem o contrário. Já em relação ao horário eleitoral gratuito, 49% rejeitam a hipótese de se informar por esse meio, aceito por 46% dos entrevistados.

 

Fonte: Luciana Lima