Unha e Carne: PF deflagra sexta fase da operação Unha e Carne com foco em grupo que teria movimentado mais de R$ 7 bilhões

7 de julho de 2026 21

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, a sexta fase da Operação Unha e Carne, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro. A ação criminosa, que teria participação de agentes públicos, teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à PF. Os alvos são o ex-secretário de Polícia Civil do Rio, Marcus Amim e Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil.

Agentes cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana; em Resende, no Sul Fluminense; e na capital carioca. Sequestro de bens e valores e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado foram determinadas.

Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.

A ação desta terça-feira está no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa desarticular organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.

Marcus Amin ficou à frente da Polícia Civil entre 2023 e 2024. Ele deixou de ser secretário da pasta por uma decisão do então governador Cláudio Castro (PL). Antes, Amim esteve na presidência do Detran.RJ.

Pastor preso

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Na quinta-feira passada a PF realizou a quinta fase da Operação Unha e Carne. O objetivo foi apurar indícios de um esquema de lavagem de dinheiro ligado à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Na ação, os agentes cumpriram três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão.

Entre os alvos estavam o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho — ambos já presos —, e o pastor Márcio Poncio. A ação mirou ainda Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, contra quem a PF cumpriu apenas mandado de busca e apreensão.

A quinta fase da operação começou após a apreensão de listas encontradas na cabeceira da cama de Adilsinho, contendo nomes de pelo menos 20 políticos de diversos partidos e espectros ideológicos que estariam recebendo mesada de Adilsinho. Segundo os investigadores, os documentos indicariam a existência de registros relacionados a doações eleitorais e movimentações contábeis ligadas à lavagem de dinheiro.

A principal linha de apuração é a de uma possível "compra" de favores por meio do pagamento de propina a agentes políticos. As listas chamaram a atenção da Polícia Federal por apontarem possíveis repasses diretos de valores a integrantes da classe política do Estado do Rio.

Fonte: Por Jéssica Marques