Uma surpresa positiva na inflação de julho e as perspectivas futuras
O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15) de julho, divulgado nesta terça-feira, 28, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) trouxe mais uma surpresa positiva para o governo, ao registrar alta de apenas 0,06%, enquanto a mediana do mercado aposta em elevação de 0,21%. Com o resultado, a inflação no acumulado de 12 meses caiu de 4,8% em junho para 4,52% no sétimo mês do ano — ainda acima do teto da meta de 4,5%. Após a divulgação do dado, o mercado passou a recalcular as estimativas para o IPCA fechado do mês.
O economista Leonardo Costa, do Asa, reduziu a projeção de 0,12% para 0,02%. Segundo ele, a principal surpresa no IPCA-15 decorreu dos preços mais baixos na alimentação em domicílio, com quedas maiores do que o esperado nos itens in natura.
“A inflação de curto prazo segue apresentando um comportamento benigno, liderado pela queda dos preços de alimentos e combustíveis. No primeiro caso, o movimento reflete uma sazonalidade mais favorável para os produtos agrícolas. No segundo, a dissipação da primeira onda de impactos do choque do petróleo observado no início do ano”, afirmou Costa.
Para ele, o ambiente macroeconômico aponta para uma inflação “relativamente comportada” nos próximos meses. Os preços de bens industrializados, segundo Costa, perdem força após terem sido pressionada pelos efeitos do petróleo e do câmbio.
“Além disso, a inflação de serviços mostra sinais mais claros de desaceleração, em linha com o esfriamento gradual da atividade doméstica e do mercado de trabalho. Sem indicar uma desaceleração abrupta da economia, esse ambiente tende a favorecer leituras mais benignas para a inflação subjacente no curto prazo”, disse.
Apesar do otimismo, os riscos climáticos do El Niño podem afetar a produção de alimentos e pressionar a inflação