TRE-RJ determina que deputado bolsonarista Alexandre Knoploch entregue armas à PF

2 de outubro de 2026 20

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) determinou o recolhimento temporário das armas de fogo registradas em nome do deputado estadual e candidato à reeleição Alexandre Knoploch (PL). A decisão também autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar a confusão entre ele e o candidato a deputado federal Flávio Serafini (PSOL) durante um ato de campanha na Tijuca, na Zona Norte do Rio. A decisão da relatora, Tathiana de Carvalho Costa, também suspende o porte de armas de Knoploch até 5 de outubro, um dia após o primeiro turno, e impõe restrições de contato e aproximação com Serafini e integrantes de sua campanha.

Knoploch terá de comparecer à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio em até 24 horas após ser intimado para entregar todas as armas de fogo registradas em seu nome. Segundo a decisão, o deputado declarou à Justiça Eleitoral possuir sete armas, entre elas um fuzil Taurus T4 calibre 5.56, uma carabina calibre .40, pistolas 9mm e .45 e um revólver .357 Magnum.

A relatora também proibiu Knoploch de acessar ou frequentar o comitê de campanha do deputado Flavio Serafini (PSOL), na Rua General Roca, na Tijuca, e os atos de campanha do adversário dos quais tenha conhecimento. Ele não poderá ainda manter contato, por qualquer meio, com Maria de Lourdes do Carmo, Cintia Teixeira de Souza Silva, Anna Cecília Faro Bonan e Sérgio Augusto Rodrigues Belerique, apontados no processo como vítimas, nem com integrantes das equipes de campanha de Serafini e Maria de Lourdes. A decisão ressalva a livre circulação e atuação de Knoploch na Alerj e o contato estritamente institucional com Serafini.

Confusão vira inquérito na PF

Segundo a petição, feita por Serafini, e Maria dos Camelôs, candidata à 2ª suplência do Senado pela Federação Psol/Rede, Knoploch realizava campanha acompanhado de mais de 30 apoiadores na Praça Saens Peña quando se dirigiu ao comitê de Serafini, na Rua General Roca. O bolsonarista teria se incomodado com uma música contra o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) que era reproduzida no local. Conforme os relatos anexados ao processo, houve uma discussão entre o candidato e pessoas que estavam no comitê.

Serafini afirma que Knoploch utilizou spray de pimenta e mostrou a arma após pedir que seus militantes parassem de tocar músicas no comitê, enquanto Knoploch chegou a alegar que foi intimidado ao questionar música "de baixo calão" com ofensas a Flávio. O episódio foi registrado em vídeo, no qual o candidato aparece levantando a camiseta e deixando a arma à mostra.

A confusão foi registrada na 19ª DP e fez o TRE autorizar um inquérito que será conduzido pela Polícia Federal, sob supervisão do tribunal, com prazo inicial de 30 dias. Entre as diligências estão a tomada de depoimentos das vítimas, testemunhas e policiais que atenderam a ocorrência; a identificação de pessoas que acompanhavam Knoploch e teriam ofendido as vítimas; a perícia dos vídeos; a verificação da situação das armas e de eventual autorização de porte; além da preservação de imagens de câmeras de segurança da região, da estação de metrô da Praça Saens Peña e das câmeras corporais dos policiais.

A Procuradoria Regional Eleitoral apontou, em tese, possíveis crimes de impedimento do exercício da propaganda eleitoral, violência política de gênero, injúria na propaganda eleitoral, lesão corporal, ameaça, desobediência e porte ilegal de arma de fogo. Segundo Tathiana, os elementos reunidos até agora — entre eles relatos de testemunhas, registro policial, vídeos e a admissão do próprio candidato sobre o uso do spray — fornecem suporte mínimo para a investigação. A relatora também considerou haver risco de novas infrações antes e durante o período eleitoral e afirmou que a suspensão do porte e o acautelamento das armas são necessários para neutralizar esse risco.

 

Fonte: Por Anna Bustamante