Reajuste do Bolsa Família às vésperas do primeiro turno da eleição divide o Congresso

18 de setembro de 2026 22

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reajustar o Bolsa Família às vésperas do primeiro turno das eleições divide o Congresso, como era de se esperar. A medida, anunciada nesta quinta-feira, 17, com impacto orçamentário estimado em R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22 bilhões em 2027, ocorre em meio a um cenário de pressão sobre o petista. Pela primeira vez desde o início oficial da campanha, o senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na corrida ao Palácio do Planalto, apareceu numericamente à frente na disputa de segundo turno. Em paralelo, a candidatura do presidente à reeleição enfrenta o desgaste provocado pela crise institucional sem precedentes no STF (Supremo Tribunal Federal).

Na base do governo, a avaliação é de que a medida, embora anunciada às vésperas da eleição, representa uma recomposição das perdas inflacionárias e busca preservar o poder de compra dos beneficiários. Há também uma tentativa de capitalizar os sinais positivos da economia, especialmente o recente corte na taxa básica de juros, e incorporá-los ao discurso da campanha petista nesta reta final. Ao PlatôBR, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a medida concilia responsabilidade fiscal e social. “Não são caminhos opostos. O compromisso do governo sempre foi conciliar o respeito às regras fiscais e, ao mesmo tempo, garantir que o crescimento e os recursos públicos impactem a vida das famílias que mais precisam”, afirmou. Para o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), o reajuste representa uma “correção das perdas inflacionárias” e é “importante para diminuir o custo de vida das pessoas de menor poder econômico” e para a “economia popular”.

Do outro lado, a oposição concentra as críticas no timing do anúncio e associa a medida a uma tentativa de Lula de recuperar espaço na disputa eleitoral, após o petista registrar redução da vantagem nas pesquisas de intenção de voto. O líder da oposição na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), classificou a medida como “eleitoreira” e contrapôs o aumento anunciado pelo petista à elevação promovida pelo governo Bolsonaro. “Quem aumentou de R$ 180 para R$ 600 foi o Bolsonaro. Ele [Lula] aumentou para quanto?”, disse o deputado ao PlatôBR. “Acho que isso é compra de voto e uma medida populista e eleitoreira. É uma medida criminosa e que precisa ser repudiada e denunciada; é enganar o beneficiário”, torpedeou o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP).

O reajuste do Bolsa Família (de 15,04%) elevará o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro.

 

Fonte: Victor Fuzeira