Polícia indiana reprime manifestantes após entrada de mulheres em templo

2 de janeiro de 2019 252

A polícia indiana usou gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e jatos de água quando protestos e confrontos começaram no estado de Kerala, no sul do país, depois que duas mulheres entraram em um templo pela primeira vez desde a decisão da Suprema Corte – informou a mídia local.

Confrontos violentos foram relatados entre dezenas de pessoas em frente ao Parlamento estadual de Thiruvananthapuram. Protestos com pontos de violência também foram observados em várias outras cidades, segundo a imprensa.

Um tenso confronto que durou mais de quatro horas em Thiruvananthapuram estava em andamento, e nenhum dos lados mostrava qualquer sinal de recuo, enquanto grupos rivais gritavam palavras de ordem.

Com cassetetes, a polícia também acusou os manifestantes de tentarem impor o fechamento de lojas na região. Vários agentes ficaram feridos quando os participantes do protesto atiraram pedras.

Nesta quarta-feira (2), a entrada em um templo dessas duas mulheres, ambas de 42 anos, enfureceu os tradicionalistas. Nos últimos meses, esse grupo impediu que outras tentassem entrar o local, às vezes violentamente.

Elas se tornaram as primeiras a entrar em um templo de Kerala, após a decisão da Suprema Corte que anulava a proibição de entrada às mulheres com idades entre 10 e 50 anos, anunciaram as autoridades.

O templo de Sabarimala é um dos santuários mais sagrados do Hinduísmo e, há semanas, é motivo de confrontos entre os hindus tradicionalistas, favoráveis à manutenção da proibição, e os partidários da decisão da Suprema Corte, especialmente associações de defesa dos direitos das mulheres.

Mais cedo, vários jornais locais haviam anunciado que as duas mulheres conseguiram entrar no templo, pouco antes do amanhecer, com proteção da polícia.

O chefe da polícia local de Kerala, Pinarayi Vijayan, confirmou a informação. “É certo que mulheres entraram no templo. A polícia deve oferecer sua proteção a qualquer pessoa que deseje rezar no templo”, declarou.

Na terça-feira, milhares de mulheres formaram uma corrente humana para apoiar a decisão da Suprema Corte, anunciada em setembro. Esta manifestação, chamada de “Muro das mulheres”, recebeu o apoio do governo comunista de Kerala.

Desde que a Suprema Corte anunciou sua decisão, várias mulheres tentaram entrar no santuário, mas os mais tradicionalistas as impediram, motivando tumultos entre os fiéis favoráveis à proibição e a polícia.

Centenas de milhares de hindus – homens, mulheres jovens e idosas – vão ao templo para uma festa anual, que costuma acontecer no fim do ano.

Muitos grupos hindus e o partido nacionalista Bharatiya Janata, do primeiro-ministro Narendra Modi, opõem-se à decisão de abrir o templo para todas as mulheres.