Planalto quer transferir o ringue das eleições para o Congresso nesta semana
O governo tem mobilizado sua base para tentar transformar o esforço concentrado desta semana no Congresso Nacional em um palco importante da campanha eleitoral. A ordem é marcar diferença em relação ao principal adversário do presidente Lula na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro, nos debates que podem resultar na aprovação do fim da jornada de trabalho 6×1, da PEC da Segurança, do marco regulatório para a exploração de minerais raros e da medida provisória que acaba com a chamada “taxa das blusinhas“.
De acordo com um parlamentar governista, deputados e senadores da base devem interromper suas campanhas nos estados para estarem no Congresso. Antevendo possíveis ganhos eleitorais com as propostas, cuja votação poderia inclusive ficar para depois das eleições, o próprio Lula negociou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que o pacote fosse pautado logo. O plano é que tudo esteja votado e aprovado até a próxima sexta-feira, 4.
O foco dos governistas é realçar a diferença entre as posições de Lula e da oposição, Flávio Bolsonaro à frente, especialmente naquela que é considerada a mais popular das propostas em debate: a emenda que acaba com a jornada de trabalho de seis dias semanais. Lula joga com a aprovação da medida pelos eleitores, que supera 73%.
Na semana passada, Davi Alcolumbre garantiu que a votação da PEC da jornada 6×1 ocorrerá na CCJ, mas não chegou a garantir que a medida irá a plenário nesta semana. No entanto, a expectativa de aliados do governo é encerrar a votação até quarta-feira, inclusive no plenário. Caso isso ocorra, integrantes da campanha de Lula avaliam inclusive a possibilidade de o presidente ir pessoalmente ao Congresso. Petistas argumentam que o gesto seria uma forma de agradecer tanto a Alcolumbre quanto ao presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB). Na prática, porém, será uma forma de ele faturar ainda mais a aprovação da proposta.