Planalto está pessimista quanto à melhora da relação com os EUA no curto prazo

29 de agosto de 2026 18

Tarifaço, tentativas de interferência nas eleições e na política de segurança interna, sanções a autoridades. A relação com os Estados Unidos tem ocupado grande parte dos esforços de negociação da diplomacia brasileira e, a contar pelas projeções de integrantes do atual governo, esse cenário continuará sendo o principal desafio caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vença as eleições de outubro e se reeleja para um quarto mandato. O governo Lula não crê em uma mudança de posicionamento do governo de Donald Trump em relação à América do Sul em geral e ao Brasil em particular nos próximos anos.

Auxiliares do presidente evitam neste momento falar da possibilidade de o governo norte-americano não reconhecer o resultado das urnas caso Lula seja eleito, o que poderia ocorrer com base nas posições ideológicas do republicano e de seus auxiliares. Qualquer que seja o cenário, eles veem “dificuldades em revisitar a relação com Trump”, que tem sido conflituosa até agora. “Trump tem mais dois anos de mandato e uma postura conceitual em relação ao nosso hemisfério que não desaparecerá depois do resultado das eleições no Brasil. Eles continuarão sendo o que são”, define um integrante do governo.

De certa forma, o pessimismo do governo Lula vai ao encontro das perspectivas anunciadas pelo principal adversário do presidente nestas eleições, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca explorar as dificuldades da relação para se vender como alguém capaz de facilitar o diálogo caso seja eleito, em razão de seu conhecimento alinhamento com a administração Trump.

O professor Robson Valdez, pesquisador e pós-doutor em Relações Internacionais pela UnB (Universidade de Brasília), concorda com a leitura do governo de que há pouca chance de mudança na relação, especialmente por considerar que os estresses são um efeito colateral da disputa dos Estados Unidos com a China por influência e poder no mundo. “O Brasil, ao longo dos últimos 15 anos, estabeleceu relações muito consolidadas com a China, de complementaridade econômica, comercial e geopolítica. Como o governo Trump estabelece a China como grande adversária, ele busca fazer esse reenquadramento dos Estados Unidos na região. Todos os países que estabeleceram um adensamento das relações com a China foram, de uma forma ou de outra, penalizados na região”, diz Valdez.

Fonte: Luciana Lima