PL lança Flávio Bolsonaro ao Planalto sob pressão por vice e alianças

25 de julho de 2026 19

Sete meses após ser escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como herdeiro político, Flávio Bolsonaro será oficializado na manhã deste sábado (25/7) como candidato do PL à Presidência da República.

convenção do partido, marcada para um espaço de eventos na Arena Pacaembu, em São Paulo, será o pontapé da campanha do senador, que chega ao evento pressionado pelo isolamento político, sem candidato a vice definido e tentando reverter uma sequência de crises que dificultou a formação de alianças.

Apesar de meses de negociações, Flávio ainda não conseguiu atrair partidos considerados estratégicos para ampliar o tempo de propaganda eleitoral, fortalecer a estrutura da campanha e aumentar a competitividade da chapa.

A dificuldade para conquistar aliados também impede, até agora, a definição do candidato a vice-presidente. O PL trata a vaga como principal moeda de negociação para fechar alianças. Um dos alvos é o Republicanos, legenda da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, apontada como favorita para ocupar o posto.

Nos bastidores, dirigentes de siglas do Centrão avaliam que o senador não conseguiu ampliar o diálogo com o eleitorado moderado e segue restrito ao bolsonarismo. Também pesou nas conversas a revelação de que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, episódio que levantou dúvidas sobre os possíveis desdobramentos do caso.

tendência, hoje, é que as principais legendas do Centrão permaneçam neutras na disputa presidencial. Se esse cenário se confirmar, Flávio disputará a eleição em uma chapa formada apenas pelo PL, hipótese vista como desfavorável por dirigentes do partido. Mesmo assim, a direção do partido afirma que insistirá nas negociações até o fim do período das convenções, em 5 de agosto.

Milei, Tarcísio e dúvida sobre Michelle

Tentando driblar o isolamento, a convenção contará com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A participação do governador, aliás, ocorre em meio ao desgaste da relação entre os dois.

Flávio tem manifestado a aliados insatisfação com o envolvimento considerado tímido de Tarcísio na campanha. Antes de o senador ser escolhido candidato, o governador era visto pelo Centrão como o nome preferido para suceder Jair Bolsonaro na disputa presidencial.

Na tentativa de estreitar essa relação e fortalecer a campanha no maior colégio eleitoral do país, Flávio transferiu a estrutura eleitoral para São Paulo. A expectativa do entorno do senador é ampliar a participação de Tarcísio em agendas conjuntas ao longo da campanha.

Outra aposta será reforçar o diálogo com o eleitorado feminino. A esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, deverá discursar na convenção e, nas próximas semanas, percorrerá o país ao lado de Daniella Marques para apresentar propostas voltadas às mulheres, segmento considerado um dos principais desafios da candidatura.

A iniciativa ocorre após a crise pública entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A madrasta afirmou ter sido “destratada” pelo enteado, rompimento que preocupou aliados por afastar uma das principais lideranças femininas do bolsonarismo em um momento considerado decisivo para a campanha.

Nos últimos dias, porém, houve um movimento de reaproximação. Na quinta-feira (23/7), Flávio divulgou um vídeo pedindo desculpas, elogiando Michelle e convidando-a para participar da campanha. A ex-primeira-dama respondeu pouco depois, afirmou que aceitava o pedido de desculpas e sinalizou uma reaproximação, gesto comemorado pelo núcleo da campanha.

Mesmo assim, Michelle não deve participar presencialmente da convenção. Ela ainda avalia se gravará um vídeo para ser exibido durante o evento. A expectativa é que Flávio a cite durante o discurso como um gesto de unidade do campo bolsonarista.

 

Primeiro discurso como candidato

Além de Flávio, devem discursar na convenção Javier Milei, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, e outras lideranças da legenda.

O primeiro discurso de Flávio como candidato oficializado deve prestar homenagens ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado. Segundo interlocutores, o próprio senador escreveu o discurso.

A expectativa é que ele reforce a defesa da união da oposição e apresente uma mensagem voltada para o futuro. A linha será semelhante à adotada nas primeiras peças publicitárias da campanha.

 

Embora mantenha a associação com o pai, o senador pretende ampliar os acenos ao centro e se apresentar como o “candidato a presidente do Brasil do futuro”.

Em um dos vídeos divulgados pela campanha, que deve guiar o tom da fala, o senador afirma que o país enfrenta “muitos desafios”, mas diz que “a gente não vai conseguir construir o Brasil do futuro repetindo os erros do passado”.

Jair Bolsonaro e Flávio

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Ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flavio Bolsonaro Flávio BolsonaroSenador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)Flávio Bolsonaro em encontro com mulheres conservadorasA dentista Fernanda Bolsonaro, esposa do senador Flávio Bolsonaro

O discurso também deve conter críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição e líder nas pesquisas de intenção de voto. A segurança pública deve aparecer como uma das principais bandeiras.

Aliados também esperam que a convenção marque uma mudança de postura do senador. Nos bastidores, dirigentes do PL defendem que Flávio reduza o tom de confronto e concentre o discurso em temas do cotidiano, como a economia, em uma estratégia para ampliar o desempenho junto a eleitores moderados e independentes.

A campanha também aposta no evento para mobilizar a militância, cuja participação ainda é considerada inferior à registrada nas campanhas de Jair Bolsonaro. Para reforçar a imagem de unidade, os organizadores orientaram os participantes a usaram roupas de cor azul. Nas redes sociais, será lançada uma plataforma para cadastrar apoiadores e distribuir conteúdos de mobilização, em formato semelhante ao adotado pelo PT.

Convenções partidárias

  • As convenções partidárias são realizadas em anos eleitorais para oficializar as candidaturas dos partidos e federações e deliberar sobre coligações.
  • Após as convenções, os partidos e federações podem solicitar o registro das candidaturas à Justiça Eleitoral, que analisará se os candidatos cumprem os requisitos legais para disputar a eleição.
  • Até o momento, apenas Renan Santos (Missão) foi oficialmente lançado como candidato à Presidência da República.
  • Também se apresentam como pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo), Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Heró Bezerra (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP).
  • A propaganda eleitoral dos candidatos com registro solicitado tem início em 16 de agosto.

Centrão distante e temor com o caso Master

Apesar de todo o esforço, o isolamento político deverá ficar evidente na própria convenção. Os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, não devem comparecer ao evento. Os dois comandam a federação União Progressista, considerada, até poucos meses atrás, a principal aposta da campanha para fortalecer o palanque de Flávio.

Embora União Brasil e PP tenham sinalizado inicialmente disposição para apoiar o senador, a relação se deteriorou nos últimos meses. Ciro Nogueira reclamou a interlocutores da postura adotada por Flávio após a operação da Polícia Federal que o teve como alvo por suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master.

Segundo integrantes do PP, Ciro esperava uma demonstração pública de solidariedade do presidenciável. O desgaste levou o dirigente a comunicar a Flávio, nesta semana, que a tendência da federação é permanecer neutra.

Além da dificuldade para atrair aliados, a campanha acompanha com preocupação os desdobramentos do caso Banco Master.

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar a abertura de um inquérito para investigar repasses do banqueiro Daniel Vorcaro à produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, recolocou o episódio no centro do noticiário e ampliou o receio de novos desgastes durante a disputa pelo Palácio do Planalto.

Aliados temem que a investigação revele novos elementos sobre a relação entre Flávio e Vorcaro, prolongando uma crise que a campanha tenta superar.

Em transmissão ao vivo na quinta, o senador afirmou ser alvo de perseguição política e disse existir uma ação “orquestrada” para desgastá-lo. Flávia afirma que virou vítima do mesmo “modus operandi” adotado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senador também minimizou o temor de aliados diante da investigação.

“‘Será que vai acontecer alguma coisa?’. Gente, não vai acontecer nada, e todas as mentiras que me acusarem a gente vai enfrentar e vai destruir, vai botar por água abaixo como sempre foi com o Bolsonaro, vai ser comigo também”, disse.

Fonte: Kevin Lima