Petistas admitem impacto das acusações contra Moraes sobre a campanha de Lula

8 de setembro de 2026 17

O impacto da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é inevitável, admitem petistas bem próximos ao candidato à reeleição. A leitura que se faz internamente na campanha é a de que a associação do presidente ao ministro Alexandre de Moraes é algo incontornável e que, diante disso, a reação de Lula tem sido “a possível” em um ambiente que se tornou naturalmente ruim para ambos após o passo dado na semana passada pelo ministro André Mendonça que detonou a guerra na corte.

“É uma tragédia política ter uma figura como Alexandre de Moraes, que se tornou referência de defesa da democracia, se meter em um problema desses. É muito ruim e cai no nosso colo”, disse ao PlatôBR, sob reserva, um dos principais nomes da campanha de Lula à reeleição.

Para evitar danos maiores, Lula optou por não tomar partido explicitamente entre Moraes e Mendonça, preferindo dizer que a tarefa de resolver a crise é do presidente do STF, ministro Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet — embora este último também esteja mencionado no relatório divulgado por Mendonça e venha sofrendo pressões internas no próprio Ministério Público Federal para se afastar do caso. “É o que nos resta fazer”, acrescente o integrante da cúpula da campanha.

“O fato de a gente ter defendido Moraes nos ataques da Lei Magnitsky e os elogios do presidente à atuação dele na tentativa de golpe, entre outras coisas, provocaram uma espécie de identificação entre o PT e ele. Não tem como fugir disso”, avalia um petista.

O estrago ainda não foi totalmente mensurado. Na primeira pesquisa após a deflagração da crise, feita pelo Datafolha e divulgada na quinta-feira, 3, Lula apareceu na liderança do primeiro turno com 38%, contra 33% de Flávio Bolsonaro. O candidato do Avante, Augusto Cury, subiu de 2% para 8%. Para aliados de Lula, o clima de desconfiança da população em relação ao STF pode favorecer Cury, que vem capturando a preferência de uma parte dos eleitores que buscam um nome “antissistema”. Nesta segunda-feira, 7, a mais nova pesquisa da Quaest registrou Lula com 36%, Flávio Bolsonaro com 29% e Cury com 8% no primeiro turno. No segundo turno, Flávio aparece numericamente empatado com Lula, com 41%.

Fonte: Luciana Lima