‘Os portões do inferno foram abertos’ – Irã ameaça e mercados assustam

4 de março de 2026 20

Ontem eu falava aqui sobre duas variáveis que realmente importam nesse novo capítulo da tensão entre Estados Unidos, Israel e Irã: intensidade e duração. A intensidade ganhou contornos dramáticos 

depois da declaração de Ebrahim Zolfaghari, porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana: “Os portões do inferno agora foram abertos para os agressores americanos e sionistas”. - Do outro lado, o presidente Donald Trump indicou que os EUA podem escoltar navios “se necessário”, diante da ameaça iraniana no Estreito de Ormuz  - 

— uma das artérias mais sensíveis do petróleo mundial. Agências internacionais já falam em quase 900 embarcações paradas. É o tipo de cena que faz o mercado perder o sono.;

Se a intensidade está dada, o tempo segue sendo o grande ponto de interrogação. Um conflito curto, de até duas semanas, tende a causar danos limitados ao Brasil, que não depende diretamente do petróle

petróleo da região. Mas, se a crise ultrapassar 30 ou 45 dias, o cenário muda de figura. Aí o efeito dominó começa: petróleo e gás sobem, frete encarece, fertilizantes acompanham e, no fim da linha, 

 a inflação bate à porta. Antes da escalada, o barril vinha orbitando entre 60 e 70 dólares, com oferta global confortável. Agora já se fala em 100 dólares — e o Financial Times menciona a possibilidade de 130. É um choque que mexe com tudo 

A incerteza foi bem resumida por David Solomon, CEO do Goldman Sachs: “Acho que levará algumas semanas para que os mercados realmente possam digerir as implicações do que aconteceu tanto a curto quanto a médio prazo, e não posso especular sobre como isso se desenrolaria”. Traduzindo: ninguém sabe ao certo onde isso vai parar, mas todos sabem que o petróleo é peça central na engrenagem de preços — alimentos, transporte, energia. E quando essa engrenagem gira mais rápido, a conta chega para o consumidor. Resta saber se será uma marolinha ou uma ressaca prolongada. 

 

 

 

 

Fonte: Por Veruska Costa Donato