Os ‘furos’ do ministro da Justiça na Secom que causaram irritação no Planalto

11 de maio de 2026 23

Os movimentos do ministro Wellington Lima e Silva (Justiça) para demonstrar seus feitos no comando da pasta, apesar do processo de “fritura” promovido por setores do PT e do governo, tem surtido efeito contrário. Divulgações recentes da pasta irritaram a área de comunicação do Palácio do Planalto, comandada pelo ministro Sidônio Palmeira, por terem sido feitas sem estratégia, atropelando um possível empacotamento pela Secom (Secretaria de Comunicação).

Em pelo menos dois episódios, o ministro usou sua autonomia na pasta para divulgar números que, para o Planalto, seriam “ouro em pó” para a comunicação, caso a divulgação fosse bem planejada para estimular maior discussão em veículos de imprensa ou nas redes sociais, na avaliação de auxiliares de Lula

Um dos atropelos que incomodou o Planalto foi sobre o novo plano de combate ao crime organizado que o governo pretende lançar nesta terça-feira, 12, com pompa e circunstância. O anúncio do pacote contra as facções foi vazado para a imprensa na semana passada. O plano segue as mesmas diretrizes entregues por Lula ao presidente Donald Trump, entre os assuntos tratados na reunião em Washington na quinta-feira, 7, na presença de Lima e Silva, que participou do encontro.

Outro ponto de rusgas foi a divulgação pelo ministério dos números de homicídios. No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou o menor número de homicídios dolosos e latrocínios dos últimos dez anos, para o período de janeiro a março. O ministério tornou os dados públicos no dia 30 de abril. “Não se pode furar o presidente da República, pega mal”, queixou-se um palaciano, em conversa com o PlatôBR.

Para Lula, a área da segurança tem uma importância especial, por se tratar de um dos assuntos mais sensíveis para os brasileiros neste ano eleitoral. O petista ainda enfrenta dificuldade para encontrar um discurso nesse setor.

Jorge Messias
As críticas ao ministro surgem em meio às especulações sobre a possível transferência do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para o Ministério da Justiça, após a rejeição pelo Senado de sua indicação para o STF. De acordo com integrantes do governo, mesmo antes da derrota no Senado já havia insatisfação com o desempenho de Lima e Silva, sucessor de Ricardo Lewandowski.

Chegou aos ouvidos do ministro da Justiça a cobrança de uma postura mais aguerrida depois que interlocutores próximos de Lula avaliaram que ele “não disse ainda a que veio” e que sequer fez um gesto de solidariedade a Messias depois do revés no Senado. 

Apesar das reclamações internas, Lima e Silva teve um sinal positivo de Lula ao ser chamado para participar da reunião com Trump. Mas antes de viajar o presidente se encontrou com o chefe da AGU e os dois combinaram de conversar novamente nos próximos dias sobre detalhes de sua permanência no governo. Só depois se saberá qual será o papel de Messias no final do governo, o que pode ou não interferir no futuro do ministro da Justiça.

 

Fonte: Luciana Lima