O uso que Lula fará do ‘sorriso de Trump’ na campanha pela reeleição
A menos de cinco meses das eleições, a visita de Lula ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem um peso simbólico que será explorado nas campanhas, tanto por parte da oposição, que tenta colar ao petista uma imagem de subserviência ao norte-americano, quanto por parte do governo, pela questão da soberania nacional como base da narrativa eleitoral que ele tentará imprimir. Na avaliação de membros do governo, a visita foi “bem sucedida” no sentido de projetar Lula como um líder internacional que consegue dialogar com uma figura mundial, mesmo sendo Trump um presidente que representa hoje o principal fator de instabilidade no mundo.
Lula foi à Casa Branca, o “campo do inimigo”, alterou a agenda presidencial e arrancou dele “um sorriso e dois tuítes favoráveis”. O presidente chegou a dizer aos jornalistas que pediu a Trump para ele sorrir para a vida ficar mais leve. Para auxiliares, esses três aspectos confrontaram a imagem divulgada pelo seu principal adversário hoje na disputa pelo Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em um vídeo feito com inteligência artificial que mostrava o petista de joelhos, chorando e dando a Trump as terras raras brasileiras. Os sorrisos dos dois presidentes contrariaram o choro ridicularizado nas redes sociais.
Com o encontro amigável e produtivo na Casa Branca, Lula conseguiu de certa forma esvaziar a ideia de uma interferência dos Estados Unidos nas eleições no Brasil para favorecer a direita. Uma possível ingerência de Trump no processo sucessório brasileiro é estimulada, principalmente, pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que se colocou como articulador do tarifaço e das sanções a autoridades brasileiras impostas com base na Lei Magnitsky.
Tarifaço
A estratégia de Lula é mostrar duas visões de Brasil contrapostas. Ele vai procurar reforçar a imagem de defensor da soberania e da não intervenção dos Estados Unidos ou de qualquer outro país na política brasileira. Tentará, também, expor os adversários como favoráveis a imposição do tarifaço que prejudicou fortemente o empresariado brasileiro.
Na entrevista coletiva que concedeu em Washington, antes de embarcar de volta ao Brasil, Lula indicou a expectativa que tem em relação à posição dos EUA sobre o processo eleitoral deste ano: “Não acredito que [Trump] terá influência nas eleições brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro. Acho que ele vai se comportar como o presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro defina seu destino”, disse o presidente. “É um princípio básico para que a gente não permita a ocupação cultural, política e a soberania de outro país. Eu penso que a nossa relação com o Trump é uma relação sincera”, pontuou.