O que a Petrobras tem a ver com a ajuda comedida do Brasil a Cuba

23 de maio de 2026 20

Apesar de ter um governo de esquerda, historicamente aliado de Cuba e crítico às sanções impostas pelos Estados Unidos desde 1962, o Brasil não enviou ajuda energética ao país caribenho, justamente o insumo que os cubanos mais necessitam neste momento. O motivo da recusa está no temor de que as sanções americanas penalizem diretamente a Petrobras.

A estatal tem suas ações comercializadas na Bolsa de Valores de Nova York e o governo brasileiro teme que os Estados Unidos cumpram a promessa de multar empresas que fornecem petróleo à ilha. Além disso, o governo Lula evita o desgaste que sofreria com o envio de petróleo a Cuba justamente em um momento em que a Petrobras age para tentar conter o preço dos combustíveis internamente, diante da crise internacional provocada pela guerra.

Até o momento, o Brasil tem mandado a Cuba remédios e alimentos e até mesmo o envio desses produtos pode ser prejudicado, devido à asfixia econômica que o governo de Donald Trump impõe à ilha.

Diferente da Rússia
O governo brasileiro ressalta as diferenças com a situação da Rússia, que em abril enviou a Cuba um navio com 700 mil barris de petróleo, mas o país de Vladimir Putin já é alvo de sanções e, portanto, não tem nada a perder.

Nesta semana, Cuba ocupou o noticiário internacional por causa da decisão dos Estados Unidos de classificar o país do Caribe de ser uma “ameaça à segurança nacional”. O governo Donald Trump acusa o ex-presidente cubano Raúl Castro de assassinato pelo abate de dois aviões, em 1996, que resultou na morte de cidadãos americanos.

Fonte: Luciana Lima