O ‘erro de cálculo’ do PL que dá fôlego a Motta na briga pelo comando da Câmara

14 de outubro de 2026 20

Escanteado pelo PL de Flávio Bolsonaro, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez circular entre aliados nos últimos dias a avaliação de que o clima de “já ganhou” na campanha bolsonarista antecipou a disputa pelo comando da casa e lhe deu mais tempo para construir o apoio de siglas do Centrão e da esquerda. Aliados de Motta e outros deputados de partidos de centro ouvidos pelo PlatôBR avaliam que a legenda de Valdemar da Costa Neto cometeu um “erro de cálculo” ao trazer a disputa para agora, uma vez que seus 121 eleitos só tomarão posse no próximo ano, quando ocorrerá a eleição da nova mesa diretora.

Recentemente, o próprio Valdemar afirmou que o PL não apoiará a recondução de Motta — uma posição que foi reforçada por Flávio Bolsonaro, presidenciável do partido, durante a reunião com lideranças do Centrão que selou o apoio do PP, do União Brasil e do Republicanos à sua campanha. No encontro, Flávio afirmou que, caso vença em 25 de outubro, não trabalhará pela reeleição nem do presidente da Câmara nem do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Após a reunião, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), jogou a toalha em relação à recondução de Motta. O próprio Pereira, aliás, pode surgir como alternativa para manter o comando da Câmara com o partido, sem entrar em rota de colisão com um eventual governo de Flávio.

Entre deputados do PL, a avaliação é de que as chances de apoiar Motta são pequenas, embora não devam ser descartadas por completo. Há quem diga que o paraibano pode ter “alguns votos” entre integrantes da bancada, especialmente entre os deputados mais ligados à pauta da segurança pública. “Motta, para mim, foi um bom presidente. Tudo que pedimos nessa área nos foi dado. Mas eu não falo em nome do partido”, disse ao PlatôBR o deputado Alberto Fraga (PL-DF), reeleito com 118.579 votos. O deputado defende, contudo, que o comando Câmara deve mudar de mãos e que caberá ao seu partido escolher um nome de consenso entre as siglas do Centrão “para não perder a eleição” que definirá os postos da mesa diretora, incluindo a presidência.

Do outro lado da disputa, o PT avalia que, caso Lula consiga uma virada inédita no segundo turno e seja reeleito, o melhor cenário seria manter Motta à frente da Câmara, sobretudo diante do desafio de garantir a governabilidade em um Congresso de perfil mais à direita e com a ameaça constante de impeachment — o processo, como se sabe, depende do aval dos deputados para avançar. A tendência é que outras legendas distantes da direita bolsonarista possam se alinhar à estratégia petista. Nesta terça-feira, 13, Hugo Motta recebeu o primeiro aceno à sua recondução desde a abertura das urnas no último dia 4. O gesto veio do PSD e foi anunciado pelo líder da bancada do partido, Antonio Brito (BA), que vinha sendo cotado como um possível concorrente na disputa. A eleição para o comando das duas casas do Congresso ocorre, tradicionalmente, em fevereiro.

Fonte: Victor Fuzeira