Nominata do Novo, incógnita de Magna dos Anjos, retorno de Edson Martins

10 de abril de 2026 21

A nominata do Novo reúne nomes competitivos, a incógnita de Magna dos Anjos e o retorno de Edson Martins em busca de espaço político

REALIDADE

Já a vice-prefeita da capital, Magna dos Anjos, figura como a incógnita mais eloquente da nominata. Sua decisão de se afastar da órbita política que a alçou ao posto atual e investir em um projeto de afirmação individual será testada com rigor nas urnas. Há, nos bastidores, a percepção de que sua ascensão não decorreu de uma liderança consolidada ou de densidade eleitoral própria, mas de circunstâncias políticas específicas que a favoreceram naquele momento em razão das escolhas do prefeito Léo Moraes. Ao tentar trilhar caminho autônomo, arrisca-se a confrontar uma realidade menos generosa do que supõe. Não é a primeira no posto que ocupa a dar com os burros n’agua. A ex-vice de Roberto Sobrino é ilustrativo.

 

VOLATILIDADE

Nesse mosaico de candidaturas, a nominata do Novo revela mais que uma simples aposta eleitoral: expõe tensões entre capital político herdado e protagonismo efetivo, entre passado e presente, entre expectativa e viabilidade concreta. Se há nomes com horizonte promissor, como Luiz do Hospital e Lucas Follador, também há trajetórias que precisarão provar, mais uma vez, sua resiliência diante de um eleitorado cada vez mais volátil e exigente. O Novo sempre foi um partido nanico e sem representação política forte em Rondônia; agora, se firma para eleger alguém.

CONVENÇÕES

Passada a janela partidária - esse breve período em que a fidelidade vira artigo descartável - o jogo muda de fase. Agora, não há mais fuga possível: quem ficou, ficou. E quem pretende disputar, precisa rezar na cartilha da legenda até o dia das convenções. Até lá, candidatura é miragem. Só existe, de fato, depois do carimbo partidário.

CAPITANIAS
O problema é que, encerrada a temporada oficial de trocas, inaugura-se a fase mais previsível da política brasileira: a das especulações infladas e das promessas que começam a vencer como cheque pré-datado. Dirigentes partidários, esses novos donatários de capitanias eleitorais, venderam mais vagas do que o cardápio comporta. Resultado: alguém inevitavelmente ficará sem cadeira - e dificilmente sairá em silêncio.

PANELINHA

Sem a possibilidade de mudança de partido, o critério passa a ser outro, mais doméstico e menos republicano. As listas proporcionais começam a ganhar a forma de um clube fechado. Deputado federal e estadual? Só entra quem for da panela, quem tiver senha ou quem aceitar o papel de figurante numa nominata já previamente hierarquizada. O discurso de renovação, tão útil na pré-temporada, começa a ser arquivado junto com as promessas de campanha.

 

DEGOLA
Nas majoritárias, o cenário não é mais elegante. Partidos menores, especialmente, viram terreno fértil para movimentos bruscos. Nos bastidores, já se fala abertamente em “degola” de pré-candidatos que chegaram com promessa de legenda, estrutura e algum lastro financeiro. A conta não fecha - e quando não fecha, alguém paga. Geralmente, o mais irrelevante.

VOCAÇÃO
O enredo é conhecido, mas nem por isso menos ruidoso. Até as convenções, o que se verá é uma sucessão de puxadas de tapete, ajustes de última hora e compromissos sendo reescritos com a naturalidade de quem nunca os assumiu. A política, nesse intervalo, deixa de ser arte da articulação e assume sem disfarces sua vocação para o improviso.

DESCARTE
Até lá, convém cautela com anúncios e euforias. No papel, há pré-candidatos. Na prática, há sobreviventes em disputa. E, como de costume, será um Deus nos acuda - com roteiro já conhecido, mas sempre capaz de surpreender na crueldade dos detalhes. As convenções estão chegando e muita gente vai sendo descartado. Na política, a palavra dada, invariavelmente, não vale nada.

ROBUSTOS

Como o cenário para as eleições estaduais começa a ganhar contornos mais definidos, o PL, PSD e a federação PP/União Brasil despontando como forças estruturadas e competitivas. Essas legendas montaram nominatas densas para deputado estadual e também robustas para a disputa federal, ancoradas em nomes já testados nas urnas e com histórico eleitoral relevante. Em tese, trata-se de um ativo importante, capaz de ampliar o potencial de votos e consolidar bancadas expressivas.

SACRIFÍCIO

Entretanto, o que é virtude coletiva pode se transformar em dilema individual: a elevada competitividade interna tende a sacrificar candidatos bem votados que, mesmo com desempenho expressivo, podem ficar fora das vagas. A disputa, portanto, será marcada por uma cogestão intensa de interesses e estratégias, onde nem todos os protagonistas alcançarão êxito.

NANICOS

Paralelamente, dois ou três partidos de menor expressão eleitoral na última disputa devem atingir o quociente eleitoral, beneficiando-se da fragmentação do voto. No plano federal, o cenário é mais restrito, mas não impenetrável. Com as novas regras de distribuição de vagas decorrentes do cálculo eleitoral recentemente validado pelo STF, abre-se uma fresta para que legendas menos competitivas também conquistem espaço na bancada federal. Mas aí não é somente o cálculo que pesa: é o percentual de votos que o candidato pode auferir individualmente.

IMPULSO

Esta coluna já havia classificado a pré-candidatura do Delegado Camargo (Podemos) como uma incógnita no cenário eleitoral, mas jamais descartou sua capacidade de ganhar densidade ao longo da campanha. Havia, inclusive, a expectativa de que o movimento natural da disputa, somado a um eventual apoio do prefeito da capital, Léo Moraes - hoje um dos gestores mais bem avaliados do estado -, pudesse impulsionar o projeto.

ARREFECEU

No entanto, nas últimas semanas, o que se observa é um visível arrefecimento, tanto no ambiente partidário quanto na postura do próprio pré-candidato. Após o fechamento da janela partidária e a consolidação das nominatas, o cenário parece ter imposto novos limites à viabilidade da candidatura.

SINAIS

Pode até ser uma leitura precipitada ou fruto de uma observação ainda incompleta dos bastidores, mas quem conhece o ritmo e as engrenagens de uma campanha eleitoral percebe sinais claros quando um projeto perde tração. E, ao que tudo indica, a pré-candidatura do Delegado Camargo dá mostras de ter minguado antes mesmo de apresentar a vitalidade que este escriba, outrora, supunha possível.

ACINTE

Em Guajará-Mirim, onde a administração municipal precisa de ajuda estadual e federal para honrar compromissos básicos, manutenção urbana e políticas públicas minimamente eficientes, a prefeitura decidiu brindar a população com um espetáculo de luxo: a contratação da Bonde do Arrocha por quase meio milhão de reais.

PROVOCAÇÃO

A pergunta que ecoa - e não encontra resposta - é simples: que prioridade é essa? Em um município carente, com demandas urgentes e históricas negligências administrativas, transformar o aniversário da cidade em um evento custoso soa menos como celebração e mais como provocação.

DESCONEXÃO

A farra com dinheiro público, ainda que embalada por música e aplausos, expõe uma desconexão gritante entre quem governa e quem enfrenta diariamente a precariedade dos serviços públicos.

EMENDA
Parte dos recursos utilizados vieram de emenda parlamentar, a situação se agrava. É imperativo a posição de quem destinou, com qual finalidade e se há ciência do destino dado ao dinheiro. Pelo que está sendo tornado público a emenda seria supostamente da lavra do deputado estadual Alan Queiroz. O uso de emendas para a área cultural é plausível, mas para sair correndo atrás de um “Bonde do Arrocha” não justifica um  gasto tão perdulário. Parlamentar experiente, Alan Queiroz deveria destinar recursos para a saúde e não para animar aniversário. Ele começou a percorrer os municípios pedindo votos e é uma boa oportunidade para esquadrinhar suas emendas.

FLERTE

Em tempos em que ex-prefeitos do município acumulam passagens pela Justiça por suspeitas de irregularidades, repetir práticas questionáveis não é apenas imprudência - é um flerte perigoso com a reincidência administrativa.

ESCÁRNIO

O atual prefeito, Fábio Netinho,  parece ignorar o histórico recente dos antecessores e insiste na mesma toada que já levou outros ao descrédito e à barra dos tribunais. Mais do que nunca, o caso exige atenção rigorosa dos órgãos de controle. Porque, ao que tudo indica, não se trata apenas de um show caro, mas de um roteiro conhecido - onde o contribuinte paga a conta e a transparência fica fora do palco. Será o aniversário do escárnio.

BOI

A contratação já tomou contornos nacionais, mas no município o escândalo é a roupa curta que a timoneira do vocal do bonde usa. Oxalá que Netinho crie juízo e tome outro bonde bem mais barato. E o deputado estadual Alan Queiroz destine suas emendas individuais para que a área da cultura de Guajará-Mirim possa realizar este ano uma linda e maravilhosa festa do Boi Bumbá e que é uma tradição cultural naquela faixa de fronteira.  

DEMISSÕES

O Chefe do Executivo Estadual resolveu passar a lâmina nos cargos comissionados que orbitavam a vice-governadoria - corte seletivo, como convém. A maioria dessas funções sempre serviu mais à engenharia política do que à eficiência administrativa, e ninguém ali desconhecia a realidade. Convém registrar: não se trata de uma limpeza total; ainda restam quadros fiéis ao vice Sérgio Gonçalves.

COICE

O gesto, embora pouco usual em tempos de convivência eleitoral, costuma aparecer quando a relação institucional azeda nos bastidores. Do ponto de vista legal, nada a contestar - cargos de confiança seguem a lógica de quem confia. Mas na política, como se vê, a liturgia é outra: primeiro a queda, depois o coice.

TRAIÇÃO

Não é a primeira vez em Rondônia que a relação entre governador e vice são cortadas em razão de supostas traições, Ivo Cassol, quando governador, fez o mesmo com a vice-governadora Odaísa Fernandes. E não será a última.

PODCAST

 

Hoje, já disponível no YouTube, veja a entrevista reveladora da ex-deputada federal Jaqueline Cassol que, além de confirmar pré-candidatura a deputada federal, revela os problemas emocionais que passou com uma suposta acusação de ser mandante de assassinato de uma funcionária (forjada para desgastá-la politicamente) e um abuso que teria sido vítima ainda quando criança. Confira. 

 

 

Fonte: ROBSON OLIVEIRA
RESENHA POLITICA (ROBSON OLIVEIRA)

Jornalista, Advogado e colaborador do www.quenoticias.com.br - contato: robsonoliveirapvh@hotmail.com