Mãe e padrasto são presos após 4 filhos relatarem rotina de torturas
A mãe e o padrasto acusados de torturar quatro irmãos, de 4 a 10 anos, com socos, chutes, objetos contundentes e uma vara de espinhos em uma propriedade rural de Cunha, interior de São Paulo, foram presos nessa quinta-feira (23/7) pela Polícia Civil. A Justiça decretou a prisão temporária do casal.
O caso veio à tona na terça-feira (21/7) depois que a madrasta e o pai das crianças observaram lesões no corpo de todos os irmãos. As vítimas foram questionadas sobre os ferimentos e reagiram de forma retraída, receosa e se isolaram em cômodos diferentes. Os quatro irmãos estavam, desde a última sexta-feira (17/7), passando férias escolares na casa do pai.
Entenda o caso
- Um casal é investigado por tortura a quatro crianças, de 4 a 10 anos, em uma propriedade rural de Cunha, no interior de São Paulo. Segundo a investigação, as crianças eram agredidas com uma vara de espinhos e outros objetos contundentes pela mãe e pelo padrasto.
- O caso foi denunciado nessa terça-feira (21/7), na Delegacia de Cachoeira Paulista, pelo pai e a madrasta das crianças.
- A madrasta das crianças auxiliava no banho delas quando observou lesões pelo corpo de todos os irmãos. Inicialmente, a mulher e o companheiro, pai das crianças, perguntaram a razão dos ferimentos e as crianças reagiram de forma retraída, receosa e se isolaram em cômodos diferentes.
- Após breve conversa, as crianças se abriram e revelaram que eram agredidas pela mãe e o padrasto, além de serem obrigados a ficar horas sem se alimentar e, em alguns casos, a dormirem diretamente no chão, sem qualquer proteção para o frio extremo da época.
- A primeira a contar sobre os episódios foi a menina de 4 anos. Ela pontuou que era agredida constantemente e que chegou a receber golpes com uma cadeira.
- Cada um revelou um tipo de agressão: socos, uso de objetos contundentes e chutes na região íntima. A declaração das crianças, contudo, é uniforme sobre o uso de uma vara de espinhos para atingi-los.
O casal acusado de torturar quatro crianças foi preso na manhã de quinta-feira. Eles foram encontrados na Rua José Amato Filho, no bairro Falcão. A Justiça decretou a prisão temporária diante das provas substanciais dos maus-tratos e tortura.
A reportagem optou por não divulgar o nome da mãe das crianças, de 30 anos, para preservar a identidade das vítimas.
Já o padrasto das crianças é servidor público Dalton Jonathan Coelho Toledo, de 37 anos. Ele trabalhava como servente na Prefeitura de Cunha. Na casa em que ocorria a tortura, a polícia localizou uma pistola de airsoft.
Segundo a investigação, a ponta da pistola de ar foi retirada, o que a assemelhava ainda mais com uma arma de fogo de verdade.
Em nota, a Prefeitura de Cunha divulgou que não tinha conhecimento sobre a tortura contra as crianças. A municipalidade repudiou o fato, e manifestou solidariedade às vítimas e suas famílias.
“No âmbito das investigações em curso, a Administração informa que, caso haja comprovação dos fatos e a devida aplicação da lei pelas instâncias judiciais, todas as medidas administrativas cabíveis serão imediatamente adotadas, em estrita consonância com a legislação vigente”, afirmou a nota.