Lula vislumbra ‘aliança’ com Fachin como saída para se descolar da crise no STF

5 de setembro de 2026 18

Embora já tenha a imagem bastante associada a Alexandre de Moraes, que foi relator no STF (Supremo Tribunal Federal) do processo sobre a tentativa de golpe de Estado que colocou na prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitará sair em defesa do ministro e insistirá no apoio de uma reforma profunda do Judiciário na tentativa de marcar esse distanciamento. O movimento tem como objetivo dissociar o governo da crise na corte. Nessa empreitada, Lula elegeu o presidente do Supremo, Edson Fachin, a quem chamou de amigo em evento nesta sexta-feira, 4, como seu principal interlocutor no processo. 

Lula quer refutar a associação que vem sendo feita pelo seu principal rival nas eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro. Flávio convocou uma manifestação na Avenida Paulista para esta segunda-feira, 7, feriado da Independência. O foco estará no impeachment de Moraes.

Lula está apostando em Fachin, que é “quem manda na casa”, nas palavras dele, como o encarregado de solucionar a crise. É também esse o tom que ele quer adotar ao defender uma reforma no Poder Judiciário — aliados do governo já ensaiam propostas como o estabelecimento de mandatos para ministros da Suprema Corte. “Quando os filhos dentro de casa estão em desordem, quem manda na casa é quem resolve”, disse o presidente, referindo-se a Fachin e segundo na mão do ministro. “Ninguém em nome da democracia pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal”, acrescentou o petista, no que foi interpretado como um recado para Alexandre de Moraes, ao mesmo tempo em que apontou desconfianças em relação a André Mendonça.

A associação de Lula com Moraes não surgiu do nada. O próprio petista fez questão de elegê-lo como um homem de “coragem estupenda” na condução do processo eleitoral de 2022 como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), após vencer Jair Bolsonaro nas urnas. Na época, o presidente disse que Moraes teve um “comportamento exemplar” ao garantir a lisura das eleições. A proximidade se estendeu ao processo que mirou a tentativa de golpe e resultou na condenação de Bolsonaro.

 

Fonte: Luciana Lima